Transportes Marítimos

Opinião de Inês Sá

InesNão há período eleitoral nenhum, ou pelo menos naqueles que vivemos na última década, em que o assunto não seja usado à laia de granada ou de qualquer outra arma de arremesso. Já cansa, já enjoa, já não há quem aguente! Os transportes marítimos são um tema que se enquadra bem no ditado do povo “Quem quer dizer mal, nunca diz bem”, porque efetivamente, e propositadamente ignorando todo o trabalho que se tem vindo a desenvolver neste setor nos últimos anos, faça-se o que se fizer, não falta quem por maldade, ignorância ou estratégia, levante o tom de voz, somente para convencer alguns cidadãos mais distraídos, de que tudo está mal, tudo está mal desenhado, mal pensado, mal acabado.

E não, não sou nem pretendo ser mais uma, entre o já inúmero rol de “especialistas” em transporte marítimo na Região Autónoma dos Açores, apenas observo de perto o assunto há quase 10 anos, usufruindo das oportunidades que a vida atualmente me dá, para fazer uso diário deste meio de transporte.

Estaria contudo a faltar-vos à verdade, se afirmasse perentoriamente que tudo está bem, que o cenário que presentemente temos na Operação Sazonal da Atlânticoline é perfeito, e que nada há a melhorar. Qualquer açoriano saberá que essa não é ainda a realidade, que nem tudo está bem e que para aperfeiçoarmos este serviço é fundamental dar continuidade a todo um processo de modernização deste serviço, onde se inclui também a aquisição de frota própria, tal como se fez (e bem!) na Operação Regular da Atlânticoline, com a entrada em funcionamento primeiramente da Lancha “Ariel” (Flores e Corvo) e mais recentemente com os dois novos navios “Mestre Simão” e “Gilberto Mariano”. Esta renovação de frota, apesar de também ter sido um investimento sobejamente criticado por algumas forças vivas da Região, excluindo naturalmente desta reflecção incidentes ou outras matérias sobre as quais jamais ousaria opinar, reveste-se de vital importância para todos os açorianos, não só para todos aqueles que pontual ou diariamente usam este meio de transporte, como também para o nosso turismo, para o comércio, até para o fomento da competitividade regional, para o desenvolvimento da economia, para a projeção e afirmação da nossa imagem, da nossa terra, pelo que nunca poderá deixar de ser um marco notável na história do transporte marítimo insular.

Desde o melhoramento ou completa edificação de infraestruturas marítimas, da aquisição destes novos navios, até à melhoria significativa no que ao serviço prestado ao cliente diz respeito, hoje o transporte marítimo de passageiros e viaturas é uma realidade à escala do nosso século e não uma alternativa minimizada ou até inexistente, como fora em outros tempos.

Evidentemente, que numa Região que se estende por 9 ilhas, não é de todo fácil corresponder com a frequência desejada, até porque não há quem não queira para si ou para a sua ilha um navio, um helicóptero, um avião, entre outros, mesmo ali à porta, preferencialmente com uma, ou mais do que uma frequência diária. No entanto, também não acredito, que haja quem, de forma séria, ponderada e honesta, seja incapaz de compreender estas e tantas outras limitações que, contrariamente ao que todos desejamos, dificilmente serão passiveis de serem resolvidas a curto prazo. Estranho é que, quem critica o serviço público e o custo do mesmo, quem crítica os valores já gastos pela Região no transporte marítimo, quem critica a aquisição de nova frota, quem critica seja qual for a obra portuária, quem critica tudo mas não tem solução para nada, sejam exatamente aqueles que depois incitam, alimentam e oportunamente ampliam, as reivindicações legitimas, mas nem sempre concretizáveis, daqueles que à semelhança de todos nós, (residentes ou naturalmente açorianos), pretendem um serviço ainda melhor para si e/ ou para os seus.

 

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