Região quer selo de bem-estar animal em todas as explorações agrícolas até 2022

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O Governo dos Açores quer certificar até ao final de 2022 todas as explorações agrícolas pecuárias da região com um selo comprovativo de “bem-estar animal”, avançou o secretário regional da Agricultura, António Ventura.

“Estamos convictos de que no final de 2022 todas as explorações pecuárias nos Açores vão ter o selo de bem-estar animal. Esta é uma forma de afirmação dos Açores, perante as sociedades atuais muito sensíveis à questão do bem-estar animal e também ao produto final, especificamente o leite e a carne”, adiantou António Ventura.

O governante falava aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, à margem de uma reunião com dirigentes da Associação de Jovens Agricultores Terceirenses (AJAT).

Segundo António Ventura, já no final deste mês terá início a formação de formadores, com um curso destinado à produção de leite e outro à produção de carne, seguindo-se a formação de equipas de acompanhamento das 6.800 explorações pecuárias do arquipélago.

O processo culminará com uma fiscalização do Instituto de Investigação e Tecnologia Alimentar, entidade responsável pela certificação na Península Ibérica, mas o secretário regional da Agricultura disse acreditar que todas as explorações estarão em condições de receber o selo da ‘Welfair Quality’.

“É uma tradição e uma identidade nossa o respeito pelos animais de produção e queremos esse reconhecimento agora internacional”, frisou.

No futuro, os produtos agropecuários dos Açores poderão vir a apresentar este selo, mas o objetivo do executivo açoriano neste momento é perceber que os produtos “têm a garantia de cumprimento de normas de respeito pelo bem-estar animal”.

“O que interessa aqui não é só ‘marketing’, é de facto um reconhecimento por parte dos consumidores de que nós temos normas de respeito pelos elementos que entram no processo produtivo, os animais, o solo, as pessoas. É um processo que respeita a sustentabilidade e outros seres vivos”, salientou o governante.

O presidente da AJAT, Anselmo Pires, recordou que há vários anos que a associação tem vindo a defender a importância deste e de outros selos “para salvaguardar o produto dos Açores”.

“Esses selos vêm atestar da qualidade do nosso produto e o consumidor vai reconhecer esse mesmo produto. E um consumidor quando reconhece um produto de qualidade e de excelência é capaz de pagar algo mais. Todas essas medidas são realmente importantes para o melhor funcionamento da nossa agricultura”, disse.

Anselmo Pires defendeu também que o número de explorações que ainda não adota estas práticas será “residual”.

“A generalidade, vamos dizer 99%, das nossas explorações certamente pratica essas medidas”, apontou.

O presidente da AJAT reivindicou, por outro lado, nesta reunião, uma redistribuição diferente das verbas comunitárias do POSEI (Programa de Opções Específicas para o Afastamento e a Insularidade nas Regiões Ultraperiféricas), alegando que os custos de produção continuam a aumentar, mas o preço do leite pago ao produtor “estagnou”.

“O POSEI tem de ser aplicado de uma forma mais equilibrada e não tanto direcionada pelas quantidades. Ainda há poucos dias vimos nas redes sociais produtos açorianos, neste caso o leite, com promoções a 24 cêntimos, abaixo do custo de produção. Além de ser crime, é inviável para a indústria, para o produtor e para toda a gente. Alguma coisa tem de ser mudada”, sublinhou.

Lusa/+central

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