Que futuro para os jovens — Opinião de Sofia Ribeiro

sofia-ribeiroNo passado fim-de-semana, participei na qualidade de oradora na Universidade de Verão (UV) do PSD-Açores e da JSD-Açores, que já vai na terceira edição e que este ano decorreu na ilha Terceira. Pode parecer estranho que a geração (ou uma das) que anda à caça de Pokémons retire quatro dias para discutir e fazer formação política, principalmente quando consideramos os índices do nosso país quanto à participação dos jovens na política. Estes jovens pertencem, assim, a uma minoria que se sente impelida e entende ser um dever cívico envolverem-se activamente na discussão de assuntos que os afectam, recusando ser meros espectadores numa sociedade em mudança. Note-se que a taxa de participação dos jovens Portugueses nas últimas eleições europeias é inferior à média da União Europeia (UE), sendo apenas superior à verificada na maioria dos países do leste, que genericamente apresentam um menor desenvolvimento económico. O mesmo sucede quanto à participação activa em grupos ou organizações juvenis.

Nesta UV abordei o emprego jovem, incutindo uma perspectiva positiva através da análise dos casos de sucesso, tentando conferir aos jovens ferramentas para singrarem e compreenderem o problema do desemprego jovem de forma abrangente. Não nos limitámos a discutir os catastróficos números do desemprego ou da inactividade jovem, que os jovens já estão fartos e não merecem mensagens desanimadoras que lhes retiram todas as perspectivas de ambicionarem um futuro risonho. De uma forma construtiva, como sempre faço nas múltiplas vezes em que me dirijo a jovens, priorizando o contacto com eles, tentei transmitir-lhes que potenciam as probabilidades de terem sucesso se investirem na sua formação académica (profissional ou regular) e se se envolverem em actividades de aprendizagem não formal, de que são exemplo as associações voluntárias e juvenis.

Em todos os países da UE (excepção feita à República Checa), a empregabilidade é maior para aqueles que detêm um diploma de nível superior, seja académico ou politécnico, do que para os jovens que apenas frequentaram o ensino secundário ou equivalente. Muito interessantes são os dados comparativos entre o ensino secundário regular e profissional. De forma global (Portugal não é excepção), os jovens que detêm diplomas do ensino secundário profissional têm maiores probabilidades de encontrar um emprego do que os jovens que apenas detêm um diploma do ensino secundário regular.

Conclui o EUROSTAT (agência de estatística da UE) que o ensino especializado, mesmo a nível secundário, bem como os estágios e outros tipos de programas educativos que conferem aos jovens o know-how, as capacidades e competências requeridas para uma ocupação particular aumentam as probabilidades dos recentemente diplomados (qualquer que seja o nível) serem capazes de obter um emprego. Como tenho vindo a defender, tal evidencia a necessidade de reformulação dos nossos cursos de orientação profissional (que são actualmente tidos como alternativa de fim de linha para os alunos que não obtêm sucesso no ensino regular e, consequentemente, desvalorizados) e dos estágios. Quanto a estes, têm de ser devidamente fiscalizados e articulados com as empresas com vista à obtenção de emprego, não como uma forma de disfarçar os preocupantes números do desemprego jovem.

A especialização e a diferenciação constituem, assim, importantes ferramentas para a nossa juventude, com maiores probabilidades de sucesso se em áreas onde se perspectivam os empregos do futuro. Os tempos são exigentes, mas os nossos jovens podem e devem continuar a sonhar. Muito embora não seja condição exclusiva, o sonho depende das escolhas que fizerem – também na política.

 

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