Política e Contrapartidas — Opinião de Pedro Pessanha

Na Calheta a politica nos últimos 4 anos foi bastante dura, muito embora para o cidadão comum possa parecer que tudo foram um mar de rosas, ou Hortênsia, para não haver segundos sentidos.

Como em tudo na vida as nossas acções são como uma moeda, tem sempre duas metades, nunca tudo é branco ou preto e haverá sempre consequências das nossas acções. Na politica também. Vamos analisar o que se passou nos últimos 4 anos, os jogos da “alta politica”, e os jogos de interesses, em que são sempre os mesmos que mandam ou ditam as leis.

Começamos…, à 4 anos uma lista dita de independentes, mas que na pratica era uma cisão do PSD ganhou a câmara da Calheta, em parte devido a um claro descontentamento de décadas de governo autárquico do PSD. Não foi uma simples cisão, foi mais que isso. Existe quem diga que foi uma traição ao partido social democrata, mas isso cabe ao PSD analisar e, muito embora a memória seja curta, o que é bom para todos nós, a vida continua.

O problema dessa vitoria é que os ditos independentes não tiveram a maioria (2 vereadores Independentes, 2 vereadores socialistas e 1 vereador do PSD), alem de que a câmara estava sobre saneamento financeiro o que não deixava muita margem de manobra.

Está criado o cenário e o “caldinho” para a “Real Politique”, e assim foi.

Ao PS interessava lhe esvaziar o PSD, algo que os independentes conseguiram, e assim começa o jogo das contrapartidas.

O PS apoia, ou faz -se de morto na Câmara para os independentes poderem governar e em contrapartida, pasme-se o nº dois dos independentes é o mandatário do PS nas eleições regionais, essas sim eleições importantes para o PS manter a maioria na região.

E quem melhor que o nº dois dos Independentes como contrapartida do apoio ou do fechar de olhos do PS!

Não esquecer que é no Topo e em Santo Antão que os Socialistas são mais fracos, terra do mandatário. Mandatário esse que poucos anos antes fartou-se de criticar O Governo Regional e o PS, mas enfim outros interesses se levantavam na altura.

E começa aqui o jogo das contrapartidas de um lado e do outro. Felizmente alguns vereadores do PS não gostam do que se vai passando e demitem-se, já que não conseguem lutar ou fazer uma oposição credível, o jogo anda viciado.

Mas as contrapartidas continuam, como a Câmara está em saneamento financeiro o GRA lá vai fazendo umas obras na Calheta (escola), e umas obras de alargamento da estrada que vem da Fajã Grande ate aos Bombeiros. Obras essas que ainda hoje se encontram dentro de um nevoeiro para o comum do cidadão, quem é o pai da criança? O GRA, a Autarquia?

A formula estava perfeita e bem funcional, e como tal as contrapartidas continuaram, como?

Bem, nas próximas eleições o PS, partido maioritário da região, maior partido de São Jorge não concorre à câmara da Calheta, alias a única das 19 câmaras da região onde o PS não apresenta candidato.

Qual a contrapartida? O futuro o dirá. Seguindo a lógica podemos supor, e estaremos cá para ver se é verdade ou não, os ditos independentes acabam.

O PS volta a ser o maior partido de São Jorge, com o PSD completamente destruído.

O actual presidente de Câmara será o deputado pela ilha de São Jorge na Assembleia Regional pelo PS e o actual vice-presidente da Câmara será o cabeça de lista pelo PS à Câmara Municipal da Calheta.

Fecha-se o ciclo.

É claro que nestas coisas existem sempre uns descontentes, que não aceitam de bom grado o que lhes apresentam, e criam á revelia do PS local, ou não, e quem sabe com apoio de alguns militantes do PSD, uma segunda lista de (in) dependentes para poderem dar voz ao seu descontentamento.

E não esquecer o CDS das Velas que poderá ter ainda uma palavra a dizer sobre o futuro dos independentes da Calheta.

E a Calheta onde fica no meio disto tudo?

Se a ideia dos independentes era ser diferente dos partidos políticos, ficou mais que provado que de diferente tem pouco, antes pelo contrario, os erros as formas de actuar, são idênticas ao que tínhamos num passado distante, sim o esquema é mais refinado, mas é igual.

Os jogos de bastidores, os jogos de contrapartidas não fazem da Calheta um concelho forte, mas sim subjugado ao poder central, assim se viu nas obras continuamente adiadas com o aval ou fechar de olhos da Autarquia.

O chamado embelezamento feito só no ultimo ano de mandato, e o arranjo de canadas de alguns, sem critérios definidos e aprovados em Assembleia, sem lógica aparente e ao sabor de interesses eleitorais, faz desta actual vereação algo de pouco diferente do que tínhamos anteriormente.

Na Calheta a politica joga-se duro, mas podem contar connosco na Câmara ou na Assembleia Municipal para não entrar em jogos de contrapartidas. Podem contar connosco para aprovar todas as propostas venham de onde vierem, que sejam importantes para a Calheta, ou se for o caso, de as reprovar. Podem contar connosco para apoiar as reivindicações das nossas populações, e informar os nossos munícipes de tudo o que se passa na Câmara.

É fundamental que a Calheta tenha na Câmara ou na Assembleia, vozes que sejam diferentes e que não alinhem em jogos políticos, que no final não acrescentem nada de novo ao nosso Concelho. Precisamos que a Calheta finalmente se afirme como um Concelho.

Se assim os eleitores da Calheta o quiserem, podem contar connosco.

 

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