Offline — Opinião de Inês Sá

Foram quase 15 dias desligada do mundo. Atravessei o canal rumo ao meu refúgio na ilha do Pico, com a promessa de usufruir dos reencontros que a vida me reservara, entre familiares e amigos.  Apesar do modo offline que me impus, os dias foram agitados. Uns de grandes emoções, outros de algum sufoco, outros onde a confusão era total, entre sobrinha, mãe, filhos, irmã, cunhados, sogros e amigos, difícil era manter alguma serenidade. Haverá por certo famílias bem mais homogenias do que a minha, que prima por uma diversidade imensa, desde os diferentes estilos de vida, de hábitos, de gostos, de ideologias, até às simples rotinas diárias, onde se incluem todas aquelas que julgamos unanimes ao comum dos mortais. Conseguir gerir todas estas idiossincrasias, nem que seja só por uma semana ao ano, é tarefa quase impossível, ou quiçá, abusiva. À medida que o dia ia passando, somavam-se os afazeres. Ora era a festa do concelho, ora da freguesia, entre concertos e Dj’s, jantares e serões, barraquinhas e afins, só não valia dizer “não”. Só mesmo o sol parecia não querer marcar presença, ao contrário da chuva que quase sempre teimava em destabilizar o serão.

Regressei a casa, um pouco antes do que tinha previsto, não sei antes passar pelo inferno das despedidas. Odeio despedidas. Nada melhor do que as camuflar com um curto “até já”, deixando para mais tarde a digestão do momento.

Entrar de novo em casa, no meu mundo, é das sensações que cada vez mais aprecio. Na verdade quando me ausento, seja por que motivo for, faço-o com algum desapego. Preciso destas ausências, especialmente durante o inverno, até porque sem elas, jamais usufruiria do prazer do regresso. Sempre me conheci assim, mesmo nas alturas em que o regresso a casa dos meus pais, não era de todo o mais apetecível, principalmente para quem, como eu, vive mal com qualquer tipo de conflito.

Coincidiu este meu regresso a casa com o Festival da Semana do Mar no Faial, sendo que foi exatamente há um ano atrás, em plena Semana do Mar, que me mudei para esta ilha. Nunca antes tinha participado neste evento, à semelhança do que quase sempre acontece em tantos outros eventos de igual dimensão. Desta vez era diferente. As condições estavam reunidas e entendi ser altura de viver esta festa in loco. Só assim, me é hoje possível dizer que de facto, este evento, já com décadas de existência, merece ser reconhecido pela excelente organização, pela superior qualidade, pelo ambiente soberbo que aqui se vive. Parabéns Faial!

Neste meu regresso à normalidade, finalmente consegui ler algumas das últimas notícias… Como tudo na vida, umas boas outras más. Não posso contudo deixar de partilhar o meu entusiasmo ao saber que 49 turmas da R. A. A vão participar, já neste próximo ano letivo, no projeto-piloto de âmbito nacional que assenta num currículo flexível, em detrimento da rigidez curricular pela qual se tem pautado o ensino. Admito poder estar enganada, mas continuo a acreditar que é exatamente a coragem e a ousadia inerentes a medidas como esta, que irão impulsionar a reestruturação que urge fazer no ensino. Venham mais!

Por último, abstendo-me de qualquer tomada de posição, até porque só tenho conhecimento da informação que vem a público e que, geralmente, fica sempre muito aquém daquilo que são de facto os fundamentos para a convocação de mais uma greve na nossa transportadora aérea regional, não deixa de ser, pelo menos para mim, preocupante a situação frágil em que se encontra a SATA, não obstante a minha esperança de que tudo se resolva pelo melhor.

 

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