Legislativas em São Jorge, reflexão — Opinião de Paulo Fontes

FontesNo rescaldo das eleições legislativas regionais do passado dia 16 e, visto que já se passou uma semana do acontecimento, os ânimos já estão mais calmos, a vida dos jorgenses já começa a regressar à normalidade, gostava apenas de deixar três pinceladas para refletirmos sobre os temas: perca de um deputado, esforço do voto e as próximas eleições as autárquicas.

Com o passar dos anos é comum ouvir-se dizer, que todos os serviços públicos da Calheta e com muito pesar dos calhetenses vão passando para Velas, poderia enumerar muitos, o último para muitos foi o Serviço das Finanças. Tenho a dizer que esse já não foi o ultimo a ir, o último serviço público que a Calheta deixou sair do seu poder para o vizinho concelho foi o único deputado que ainda tinha na Assembleia Regional, só que desta vez não foi por ordem ou decisão de A, B ou C. Desta vez foram os próprios calhetenses que ofereceram o seu voto ao vizinho concelho de Velas, votando para que apenas os cabeças de lista fossem eleitos. Devo acrescentar que este também é um problema dos próprios partidos políticos que teimam em candidatar em primeiro lugar alguém de Velas, não sei porquê? Talvez por ter mais população. E os representantes da Calheta, nada têm a dizer?

São Jorge é uma ilha que se apresentou nestas eleições com 8645 votantes, dos quais 4527 foram às urnas, no porta à porta que fiz, quando referia a importância de se ir votar, a maior parte das pessoas referiram-me que iam sempre votar, logo não percebi estes números, será que não conversei com os 4118 que não foram às urnas.

A Calheta teve 3642 inscritos e as Velas 5003 e, foram votar 1903 na Calheta e 2624 nas Velas. O número de votos que o Partido Socialista obteve foram 1790, muito menos que os de há 4 anos e mesmo assim no Concelho da Calheta teve 904 votos e no Concelho de Velas 886 votos e, no Partido Social Democrata votaram 969 eleitores, muito menos que à quatro anos e deixou de ser a segunda força politica na ilha, sendo que obteve 494 votos na Calheta e 475 votos nas Velas.

Como posso explicar que um concelho com menos eleitores conseguiu dar mais votos aos cabeças de lista das até então, as duas maiores forças politicas na ilha, o PS e o PSD, será que votaram no cabeça de lista ou será que votaram no segundo candidato? Eis uma pergunta que fica por responder. No meu entender, penso que seria justo ambos os cabeças de lista dessas forças políticas pararem, pensarem e, caso julguem perentório, dar o seu lugar a quem realmente teve uma votação maior a que eles próprios tiveram no seu espaço de conforto, o seu concelho. Neste caso, tanto o Adroaldo Mendonça como o Paulo Teixeira demonstraram ter trabalhado mais pelo seu conselho e pela ilha do que os seus cabeças de lista.

As próximas eleições que começam a avizinhar-se no calendário político para o próximo ano, de todos os portugueses e novamente dos açorianos e dos jorgenses já começam a fervilhar. No concelho de Velas ainda se estava e campanha das legislativas e a azáfama do cimento pelas ruas da vila já era visível, como se a candidata já trouxesse obras para a ilha, penso que se a obra tem de ser feita, tem de ser feita, três anos passados e nesta altura é que vemos obra, no mínimo parece estranho. Na Calheta, toda a gente falava das obras da escola e do aproveitamento do entulho que iria sair da escavação para que seria e como seria usado, o Município pouco ou nada referiu, no entanto, mal acabada a labuta das legislativas não é que surpreendentemente começa a obra… Deu logo para perceber que este é sem sombra de dúvida o ano para “dar vida ao concelho” ou não houvesse um cheirinho a eleições e é preciso dar uso ao lema, se nos últimos três anos essa não foi a prática então agora é que é.

 

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