“Invenção de Planos” foi estratégia socialista desta legislatura nos Açores

Ana EspínolaA deputada do CDS-PP Açores, eleita pelo círculo eleitoral de São Jorge, afirmou hoje, na Horta, que a estratégia socialista desta legislatura foi “criar agendas, escrever cartas, inventar planos integrados”.

Numa declaração política apresentada na Assembleia Legislativa Regional, onde a parlamentar fez um balanço dos quatro anos da legislatura, Ana Espínola admitiu que “nisso a governação do PS conseguiu ser verdadeiramente criativa”, criticando que “o problema foi transpor para a realidade social e económica da Região, aquilo que os decisores idealizaram”.

“Há quatro anos atrás os Açorianos escolheram um parlamento com uma maioria absoluta de deputados do PS. Dessa maioria socialista foi autoproclamado um `novo´ Governo Regional, como coisa que os socialistas não governassem esta Região há 20 anos”, salientou.

Para Ana Espínola, a governação “foi turbulenta”.

“O PS viu-se embrulhado em várias crises na agricultura, nas pescas. Teve problemas nos transportes, na saúde e tentou disfarçar com `pensos rápidos´, mas sem sucesso, os péssimos resultados do sistema de ensino”, lembrou, referindo que “foi-se desculpando com um Governo da República que não era da mesma cor política, o que acabou por dar imenso jeito, porque enquanto se fazia oposição a Lisboa, tentava-se distrair os açorianos que levaram também com a austeridade (e com as consequências dela) que foi imposta por um desgoverno nacional do Partido Socialista”.

Referindo-se ao desemprego, a deputada realçou que “a taxa de desemprego nos Açores baixou”.

“Não se pode é dizer com a mesma certeza que se tenha criado emprego efetivo, duradouro e sustentável para milhares de açorianos que entraram num circuito fechado de programas ocupacionais e que, quando esgotados todos os prazos e todos os programas de ocupação de desempregados, vão voltar para o desemprego”, lamentou Ana Espínola, frisando que “uma agenda ocupou desempregados, melhorando estatísticas, mas não deu estabilidade social aos ocupados/desempregados, nem assegurou dinamismo à económica”.

Apesar da chegada das low cost — que “têm contribuído para o renascer de um setor que estava moribundo e de portas fechadas: o turismo” — a parlamentar lamentou que o PS não tenha conseguido “unir esforços” para que este bom desempenho estatístico do setor “vire complemento efetivo à economia tradicional ligada à agricultura e às pescas”.

“O que é preciso é criar condições para que o turismo seja sustentável e duradouro, gerando empregos e riqueza, em vez de corrermos o risco de andarmos distraídos com tricas políticas para, qualquer dia, nos dar-mos conta de que os Açores passaram de moda. Depois é vê-los, de novo, a fechar as portas!”, constatou Ana Espínola.

A popular açoriana lembrou que “o Governo que foi empossado, governou assente em compromissos” mas entende que “o PS governou, mas não concretizou”.

“Quarenta anos de democracia e de autonomia, mais de duas décadas após a adesão à União Europeia e muitos milhões de euros depois, os açorianos ainda vivem constrangimentos inconcebíveis”, realçou Ana Espínola, reconhecendo “a evolução registada”, mas sem aceitar as “limitações que não foram ultrapassadas por incapacidade das sucessivas governações regionais”.

A eleita questionou “que Autonomia é esta que não consegue aguentar as suas gentes?”

“É imperioso lutar contra esta desertificação humana, que novamente se verifica. E não vale a pena dizer que não é bem assim. Basta olhar para o que aconteceu em São Jorge que, por causa de perda de população, também, vai perder representatividade política a partir da próxima legislatura”, afirmou Ana Espínola, que entende “ser fundamental” dar mais valor à política, com credibilidade, responsabilidade e moderação.

 

 

 

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