Governo considera “interessante” criar museu na antiga açucareira SINAGA

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A secretária da Cultura, Ciência e Transição Digital do Governo dos Açores considerou “interessante” criar um núcleo museológico nas instalações da extinta açucareira SINAGA, em Ponta Delgada, mostrando-se disponível para ouvir as “forças vivas” da sociedade.

Ouvida na comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Regional, Susete Amaro reconheceu o “interesse histórico e cultural” do património da SINAGA, uma posição que também foi manifestada pelo secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Bastos e Silva, na mesma comissão.

“No que diz respeito à intenção de criar um núcleo museológico neste complexo da fábrica da SINAGA, efetivamente, considera-se a ideia interessante, até porque existe pouca coisa a esse nível na região, de arqueologia industrial”, afirmou Susete Amaro.

A titular da pasta da Cultura no executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) disse também ser possível reconverter a antiga fábrica num centro interpretativo ou dar uma “utilidade de caráter mais económico e comercial à área”.

Segundo disse, a posição final do governo vai “depender do que for a intenção das forças vivas e da população”.

“Estaremos disponíveis para aquilo que a população e as forças vivas entenderem que deva ser o uso a dar a essas estruturas industriais”, afirmou Susete Amaro.

A governante foi ouvida no âmbito da proposta da IL para a criação de um Núcleo Museológico da Indústria Açoriana dos séculos XIX e XX, da iniciativa do PAN que propõe a proteção do património da SINAGA e do projeto do PSD para a reconversão da Casa da Balança em equipamento social.

No âmbito dos mesmos diplomas, o secretário regional das Finanças, Bastos e Silva, disse ser necessário proceder à “definição dos imóveis de interesse público” presentes no complexo industrial da SINAGA.

Bastos e Silva defendeu que a “definição do conteúdo de um centro de interpretação ou de um núcleo museológico” deve ser feita em articulação com a secretaria da Cultura e as “forças vivas” da sociedade.

Após ter sido questionado, pela deputada do BE Alexandra Manes, sobre as verbas para capacitar um eventual núcleo museológico, o governante com a tutela das Finanças afirmou que a reconversão daquele espaço não pode ser feita no “curto prazo”.

Também ouvido na comissão, o administrador da SINAGA, André Rodrigues, avançou que “todos os equipamentos que foram desmantelados” representavam um “risco para a edificação existente” e para os trabalhadores, sendo que os restantes foram levados para o Museu Carlos Machado.

Questionado pelo deputado da IL Nuno Barata sobre os equipamentos da “zona do evaporador e do difusor” da fábrica, o administrador revelou que o “seu destino foi a sucata”, situação considerada “lamentável” pelo parlamentar liberal.

A 27 de outubro de 2021, o grupo de cidadãos “Santa Clara – Vida Nova” anunciou que entregou uma providência cautelar para travar “todas as ações de desmantelamento” da fábrica da SINAGA, em Ponta Delgada, que foi extinta pelo Governo dos Açores.

A Fábrica do Açúcar foi instalada na freguesia de Santa Clara em 1906, tendo sido comprada pela SINAGA em 1969. Desde 2010, tinha uma participação de 51% do Governo Regional.

Lusa/+central

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