Federação Agrícola dos Açores defende pacto nacional para o preço do leite

O presidente da Federação Agrícola dos Açores defendeu hoje um pacto de regime regional e nacional que garanta um preço do leite à produção que torne o setor sustentável, proposta subscrita pelo Governo regional e pela indústria.

Na sequência de uma reunião do Centro Açoriano de Leite e Lacticínios (CALL), que contou com a presença do presidente do Governo regional, José Manuel Bolieiro, em Ponta Delgada, Jorge Rita declarou que quer que o preço do leite “não baixe a níveis a que as famílias da produção agrícola deixam de poder tão pouco ser sustentáveis”.

O dirigente agrícola afirma que o pacto de regime “não pode passar apenas pela vontade da produção, mas também pela indústria, distribuição e comercialização e, essencialmente, pelo consumidor”.

O CALL é um fórum de debate das questões relacionadas com o setor dos laticínios, onde têm assento todos os agentes da área, sob mediação do Governo dos Açores.

“Da forma como as coisas estão, se não houver uma intervenção conjunta regional e nacional, porque vende-se mais de 80% do leite no mercado nacional, não vamos lá. Não podemos estar numa guerra de preços constante em que nem ganha a indústria nem a produção”, disse o líder da FAA.

Para Jorge Rita, essa situação “tem que ser invertida rapidamente para que se possa continuar a viver com alguma dignidade, com rendimento e sustentabilidade”, considerando que “há preços que são praticados que é autêntico ‘dumping’”.

O presidente da Federação Agrícola dos Açores ressalvou que há também produtos que chegam aos Açores “abaixo do preço de custo”, devendo o pacto de regime apurar o que custa produzir cada litro de leite, não podendo o produtor “vender leite abaixo do seu preço de custo”.

O presidente do Governo dos Açores afirmou, também em declarações aos jornalistas, que no Centro Açoriano de Leite e Lacticínios sentiu que “há condições” para haver um trabalho conjunto entre todos os agentes do setor”.

José Manuel Bolieiro considerou que o pacto de regime proposto é o “melhor sinal da disponibilidade para passar das palavras aos atos”, tendo salvaguardado que a proposta “tem características nacionais, mas pode-se, no quadro regional, definir um pacto”, dando-se um “bom exemplo a partir dos Açores”.

O responsável pela indústria nos Açores subscreveu a iniciativa, considerando que “todas as partes estão interessadas em valorizar o leite e os seus produtos”, mas o pacto de regime “implica outras condições como as condições de concorrência e de operacionalidade, havendo muitos fatores que é preciso ter em conta para encontrar uma forma de funcionar”.

Lusa/+central

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