Estatísticas negras assombram sociedade açoriana a uma semana das eleições legislativas

palacio-santanaAs últimas informações do Instituto Nacional de Estatística (INE) não deixam margem para dúvidas. A uma semana das eleições legislativas regionais, as “estatísticas negras” assombram a sociedade açoriana.

A Região Autónoma dos Açores lidera, face ao resto do país, no desemprego, nas condenações por crimes de abuso sexual, no insucesso escolar, no abandono escolar e no analfabetismo, na violência doméstica, na gravidez na adolescência, no consumo de álcool, na pobreza persistente e bate os recordes nacionais de dependência dos Rendimento Social de Inserção,18.292 beneficiários, 8.4% da população (dados de julho de 2016), a mais alta taxa do país (que é de 2%).

Em junho passado, um relatório da OCDE sobre o bem-estar, revela friamente os paradoxos da referida “tragédia açoriana”, comparando-a com outras regiões de países-membros.

Numa escala de 1 a 10, os Açores atingem 9.9 pela excelência do seu ambiente sem poluição. Em matéria de segurança, 9.5, o 6º lugar entre as sete regiões portuguesas estudadas. O ‘resto’ impressiona… pela negativa.

No rendimento anual disponível, o valor é de 3,2; na saúde 2,0; na habitação, número de quartos por pessoa 5,0; emprego 3,6; e, por último, participação cívica (percentagem de votantes em eleições) é 0,0.

Com 40 anos de autonomia, o governo dos Açores tem sido repartido entre PSD e PS, sendo que o ato eleitoral do próximo domingo vai “desempatar” as lideranças.

A autonomia, em si, é unanimemente reconhecida como um sucesso. E, tanto maior é a convicção nas virtudes da governação açoriana quanto maiores são as responsabilidades institucionais dos “autonomistas” do continente.

O secretário-geral do PS, ainda antes de se imaginar Primeiro-ministro de Portugal, não se poupava em elogios ao “exemplar” governo socialista dos Açores, liderado então por Carlos César. António Costa repetiu-os agora, na pré-campanha eleitoral, em comícios em São Miguel e na Terceira para orgulho de César e Cordeiro.

É verdade que há ‘obra’ de extasiar, em número e em excelência. Mas convive com uma realidade social contraditória, como se vê nos boletins do INE.

Tudo vai a votos no próximo domingo, dia 16 de outubro.

 

 

 

 

Foto: Direitos Reservados

Expresso/+central

 

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