Deputados contra fim dos apoios públicos aos espetáculos taurinos nos Açores

alraaA Assembleia Legislativa dos Açores chumbou hoje uma proposta do BE que pretendia acabar com os apoios públicos às touradas realizadas no arquipélago, matéria que suscitou alguma polémica.

A proposta, apresentada pela deputada Zuraida Soares, suscitou dúvidas aos restantes partidos, uma vez que o diploma falava apenas em “condicionar o apoio institucional à realização de espetáculos que infrinjam sofrimento físico ou psíquico ou provoquem a morte de animais”.

Nuno Menezes, da bancada socialista, lembrou que as touradas à corda e de praça são uma tradição secular em algumas ilhas do Açores, como é o caso da Terceira, de São Jorge e da Graciosa.

“Pergunto, por isso, senhora deputada, o que acha que nós não devemos então apoiar, se as touradas de praça, se as touradas à corda, se os bolos de leite, se as cavalhadas”, questionou o parlamentar socialista.

Artur Lima, líder parlamentar do CDS, considerou a proposta do BE “eleitoralista” e “populista” e de pretender “acabar” com as tradições de tourada à corda nos Açores.

“O que fica claro é que o Bloco de Esquerda é contra a tourada à corda e é contra as tradições populares e a cultura de um povo”, apontou o parlamentar centrista em tom exaltado.

Perante as insistências, Zuraida Soares acabou por esclarecer que a intenção do seu partido não é “acabar com as touradas” mas apenas com os apoios públicos a espetáculos “com fins comerciais”, fazendo-se acompanhar de fotografias, em tamanho A3, com touros a sangrar, utilizados em espetáculos tauromáquicos.

A proponente garantiu que as touradas à corda estão excluídas deste diploma, mas Aníbal Pires, do PCP, considerou que esse objetivo não está claro no articulado.

“Se, de facto, aquilo que pretende é excluir as touradas à corda do âmbito deste diploma, devia ser mais explícita”, sugeriu o deputado comunista.

Mas Judite Parreira, da bancada do PSD, lembrou que acabar com os apoios às touradas, como propõe o BE, não significa acabar com as touradas.

“A senhora vem aqui, como Pilatos, lavar as mãos, como se o problema fosse os apoios institucionais, ou seja, se não há apoios, não faz mal haver touradas. Faz mal é se houver apoios”, ironizou a deputada social-democrata.

Paulo Estevão, do PPM, acusou, por seu lado, a proposta do Bloco de ser “eleitoralista” e “absolutamente hipócrita”, e de estar a tentar fazer um aproveitamento de uma matéria considerada “sensível” para muita gente no arquipélago.

O secretário regional da Educação e Cultura, Avelino Meneses, garantiu em plenário, que o executivo socialista não atribuiu apoios públicos a espetáculos tauromáquicos nos últimos anos, concluindo que a proposta acaba por não fazer sentido.

Mas a depurada do BE fez entregar na Mesa da Assembleia, uma listagem de portarias, publicadas entre 2004 e 2014 no Jornal Oficial da Região, com “dezenas e dezenas de milhares de euros” de subsídios atribuídos a entidades ligadas à tauromaquia nos Açores.

A proposta do BE acabou chumbada por quase todos os partidos com assento parlamentar, à exceção de cinco deputados do PS, que votaram a favor (quebrando a disciplina de voto) e dois que se abstiveram.

 

 

 

 

Lusa/+central

 

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