Classe médica não está preparada para prescrever canábis “por desconhecimento”

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O médico reumatologista nos Açores Guilherme Figueiredo disse, à Lusa, que a classe médica não está preparada para prescrever a canábis medicinal porque “desconhece, não foi formada”.

“Ainda hoje os alunos de Medicina que vão sair amanhã das faculdades não tiveram nenhuma cadeira ou uma componente de cadeiras de farmacologia ou de terapêuticas médicas complementares ou não complementares como canábis”, salientou o médico, que se tem se debruçado sobre a utilização de canabinoides na dor crónica.

“É preciso formar formadores, é preciso reunir um conjunto significativo e representativo de várias disciplinas ou especialidades para formar os respetivos médicos das diferentes áreas”, defendeu.

“Isto vai demorar tempo e, portanto, estamos a falar de um valor residual de prescrições e de doentes”, lamentou Guilherme Figueiredo.

Por seu lado, a presidente da Associação Portuguesa de Informação sobre Canábis (APCANNA) defende que a canábis medicinal deve ser facultada gratuitamente nas instituições de saúde, tendo em conta que promove a saúde e a qualidade de vida dos doentes.

“Não considero a canábis como a cura para todas as patologias, no entanto é uma ferramenta de extrema importância tendo em conta o seu potencial terapêutico e os efeitos adversos negligenciáveis quando comparada a outros medicamentos que são comummente prescritos”, disse Soraia Tomás, enfermeira, a propósito da primeira substância à base da planta da canábis para fins medicinais, aprovada pelo Infarmed, que está à venda nas farmácias há duas semanas, mediante prescrição médica.

Soraia Tomás defendeu que a canábis “é uma opção que promove a saúde e a qualidade de vida dos pacientes e deveria ser facultada de forma gratuita nas instituições de saúde ou, pelo menos, comparticipada em grande parte”.

Em Portugal, a administração de canábis para fins terapêuticos pressupõe que a flor de canábis seja proveniente de cultivo controlado formalizado e certificado para fins medicinais, o que, afirmou, “acarreta elevados custos para a empresa que o produz”

Tendo em conta os preços praticados em outros países europeus, a presidente da APCANNA disse não considerar “completamente desadequado” o preço praticado, 150 euros para sacos de 15 gramas, para o medicamento à venda em Portugal, mas salientou que para muitos doentes é “um preço incomportável”. Além do produto, é necessário comprar um vaporizador para o administrar.

“Temos que ter em conta que muitos pacientes se encontram numa situação financeira instável, muitas vezes a própria patologia os impede de trabalhar e além disso já têm que suportar outros custos a nível de acompanhamento médico, consultas e exames”.

Soraia Tomás disse estar confiante que a partir do momento em que forem concedidas mais autorizações por parte do Infarmed, “vai aumentar a competitividade e o preço vai ser cada vez mais acessível”.

Lusa/+central

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