Angra do Heroísmo assinalou Dia Nacional dos Moinhos com visitas interpretativas

No Dia Nacional dos Moinhos, assinalado na passada sexta-feira, a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo abriu a Casa do Moinho — localizada atrás dos Paços do Concelho, na Ladeira de São Francisco — com visitas interpretativas sobre o seu funcionamento e sobre a Ribeira dos Moinhos, um curso de água fundamental na história da cidade.

A Ribeira de Angra, também referida como Ribeira dos Moinhos, localiza-se no centro histórico da cidade e teve a função de abastecimento de água potável e de escoamento das águas servidas. O seu aproveitamento como força motriz para os estabelecimentos manufatureiros fez com que, historicamente, tenha sido um dos elementos que permitiu o povoamento e o desenvolvimento do núcleo urbano, em termos económicos e sociais. Desativada na década de 1950, atualmente são visíveis apenas alguns de seus troços, estando em discussão a sua revitalização e aproveitamento turístico.

Álvaro Martins Homem, explorador português do século XV e fundador da vila de Angra, reconheceu as possibilidades de aproveitamento das águas profundas e abrigadas da baía de Angra como porto. Terão contribuído para essa decisão os cursos de água abundantes, oferta complementada por outros, que se precipitavam sobre a baía vizinha a leste, que delas recebeu o nome – baía das Águas.

O explorador deu início à levada da chamada “Ribeira dos Moinhos” e em seu curso fez instalar doze moinhos. As águas que desciam da serra do Morião, passaram a ser captadas e desviadas para uma levada em declive suave que se desenvolvia em curva, num leito artificial de pedra lavrada.

O curso de água ganhava volume no alto de São João de Deus alargando-se no pântano que existiu nos terrenos onde hoje se abre a Praça Velha. Na altura do atual Alto da Memória as suas águas alimentavam o primitivo Castelo dos Moinhos, primeira fortificação de Angra, erguida na passagem da década de 1460 para a de 1470.

A julgar pelos nomes das antigas ruas, ao longo da nova levada implantaram-se doze moinhos, algumas alcaçatarias para tratamento de couros e peles, e um pisão de linho ou mesmo de pastel. Essa informação é confirmada pelas Cartas-régias de 1474, que doaram a capitania de Angra a João Vaz Corte-Real e a capitania da Praia a Martins Homem, estabelecendo uma compensação para este último por conta das moinhos que ali feito com “grandes despesas” e que teria que abandonar.

Nos séculos XV e XVI, a economia da cidade era dinamizada pela produção de farinha, têxteis, mobiliário, construção e reparação naval. Dos doze moinhos existentes no século XVI, contavam-se em 1956, ano de sua desativação, quarenta e dois, muitos azenhas e os demais de rodízio.

Parte das águas da ribeira de Angra foi desviada posteriormente para o Alto das Covas, descendo para a cidade por meio de “arquinhas”. Em 1600, o chamado “Cano Real” garantiu que parte dessa água chegasse ao Castelo de São João Baptista.

Em 1956 o multissecular curso de água foi desviado para alimentar as duas centrais hidroelétricas construídas para fornecer energia elétrica à cidade a Angra. Na ocasião os antigos moleiros ganharam motores elétricos e a ribeira acabou por vir a secar.

O município, além desta componente educativa, proporcionou aos visitantes uma exposição de ofertas relacionadas com as cidades irmãs de Angra do Heroísmo e esculturas de Manuel Dias Júnior.

 

 

 

 

Foto: Direitos Reservados

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