Cordeiro pede a Bolieiro para repensar “urgentemente” medidas em São Miguel

O presidente do PS/Açores pediu ao líder do Governo regional para repensar “urgentemente” as medidas de combate à pandemia em São Miguel, criticando a “falta de diálogo” do executivo açoriano.

Numa missiva enviada a José Manuel Bolieiro, a que a agência Lusa teve acesso, Vasco Cordeiro defendeu que a “abordagem” do combate à Covid-19 na ilha de São Miguel “não está a produzir os resultados esperados”.

“No que se refere à ilha de São Miguel, a nossa leitura é que essa abordagem não está a produzir os resultados esperados e que necessita, urgentemente, de ser repensada e alterada, desde logo, no sentido de serem claros, compreensíveis e justificados os critérios que levam à tomada dessas decisões”, lê-se na carta.

Vasco Cordeiro, anterior líder do Governo Regional, afirmou que as medidas do atual executivo açoriano foram “menos duras”, mas mais prolongadas no tempo, quando comparadas com as do anterior governo, que adotou medidas “drásticas e duras durante um curto e limitado período de tempo”.

“É contraproducente insistir na mesma abordagem quando foi atingido esse ponto de saturação, de exasperação e, em alguns casos, de descrédito”, afirmou.

O socialista considerou as medidas aplicadas às escolas da maior ilha açoriana motivo de “particular preocupação”, referindo ser “urgente reavaliar a proibição” de os alunos do primeiro e segundo ano usufruírem de intervalos e a obrigação de usarem máscara durante as aulas.

“Senhor presidente, estamos a falar de crianças de 6, 7 anos e essas medidas são bastante duras para crianças de tão tenra idade. Tão ou mais importante do que reabrir escolas, é que isso aconteça com um mínimo de condições”, assinalou.

O líder parlamentar do PS/Açores disse ainda ser “evidente” que o Governo dos Açores “não tem abertura, disponibilidade ou interesse num diálogo direto e efetivo” sobre a situação da pandemia na região.

Vasco Cordeiro condenou também as declarações do responsável da comissão de combate à pandemia nos Açores, Gustavo Tato Borges, que na quinta-feira criticou uma reportagem do jornal Açoriano Oriental, intitulada “Restrições transformam Ponta Delgada em cidade fantasma”.

Para Tato Borges, o título em causa “apela a um sentimento de revolta para as medidas impostas” pelo Governo Regional.

Segundo Vasco Cordeiro, aquelas declarações dizem “tudo sobre o sentido de decoro e até sobre o profissionalismo do autor” e “extravasam em muito o papel técnico” de Tato Borges.

“Face a esta situação, mas também em muitas outras, Vossa Excelência, senhor presidente, não pode ficar em silêncio, nem pode estar ausente”, lê-se na carta enviada por Vasco Cordeiro.

Lusa/+central

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