Vítor Silva acusa Sérgio Ávila de “iludir” açorianos com o valor do salário mínimo

O coordenador regional do PCP/Açores acusou hoje o Governo Regional de tentar “iludir a opinião pública” ao dizer que o salário mínimo na região é de 609 euros, alegando que os funcionários da administração pública central recebem 580 euros.

“Sabemos como o Governo Regional é hábil com a manipulação das palavras, numa tentativa constante de, por obra e graça da magia dos números, iludir a opinião pública”, acusou Vítor Silva, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

Ouvido recentemente na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa dos Açores, sobre uma proposta do PCP para aumentar o acréscimo regional ao salário mínimo nacional, o vice-presidente do executivo açoriano disse que nos Açores os funcionários já recebiam mais do que o reivindicado pelos comunistas.

“O PCP tem nas ruas da região um cartaz falando num salário mínimo de 600 euros. Ora bem, nos Açores já superámos esse objetivo, é de 609 euros”, adiantou Sérgio Ávila.

Segundo Vítor Silva, esse valor tem em conta o acréscimo regional ao salário mínimo nacional de 5%, que não chega a todos os funcionários açorianos.

“O salário mínimo nacional é igual em todas as partes e também nos Açores se praticam os salários dos 580 euros. Todos os trabalhadores da administração pública central nos Açores ganham 580 euros”, frisou.

O coordenador regional do PCP disse que a reivindicação do partido é referente ao salário mínimo nacional, que se fosse 600 euros representaria um aumento de 21 euros para os açorianos com direito ao acréscimo regional, que passariam a receber 630 euros, em vez dos atuais 609.

Vítor Silva acusou ainda o vice-presidente do Governo Regional de “aproveitamento político”, por passar a ideia de que a atualização do salário mínimo na região resulta de um aumento do executivo açoriano.

“Este foi um mecanismo criado pela assembleia regional, por proposta do PCP/Açores, que, enquanto estiver em vigor, faz com que toda e qualquer atualização do salário mínimo nos Açores beneficie de um aumento de 5%”, salientou.

Para os comunistas açorianos, o custo de vida no arquipélago é mais elevado do que no continente português e essa disparidade aumentou com o crescimento do turismo, o que justifica o aumento do acréscimo regional ao salário mínimo nacional de 5 para 7%.

“Hoje em dia é mais barato comprar produtos açorianos num supermercado no continente, do que nos Açores”, realçou Vítor Silva.

A proposta de aumento do acréscimo regional ao salário mínimo nacional, que o PCP já apresentou várias vezes na Assembleia Legislativa, volta a ser discutida em plenário, esta semana.

O único deputado regional do PCP, João Paulo Corvelo, já entregou também no Parlamento açoriano uma anteproposta de lei que prevê uma majoração do subsídio de desemprego, na sua duração e valor, para a ilha do Pico, onde a conserveira Cofaco anunciou o despedimento de 180 trabalhadores.

“Esta situação do Pico poderá ter contornos muito mais negativos do que aqueles que teve a da base das Lajes”, salientou Vítor Silva, referindo-se à redução militar norte-americana, que provocou cerca de 450 rescisões por mútuo acordo, em 2015 e 2016, na ilha Terceira.

 

 

 

 

Lusa/+central

 

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