Viabilização da incineradora da Terceira passa por tratar o lixo do Funchal “quase de graça”

Paulo Mendes BEO coordenador do Bloco de Esquerda Açores reiterou hoje que a incineradora da ilha Terceira “está sobredimensionada”, alegando que a empresa que a gere está disposta a tratar lixo do Funchal “quase de graça” para a viabilizar.

“As conversações entre a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo e a Câmara Municipal do Funchal para um futuro acordo com vista ao envio de resíduos do Funchal para a incineradora da Terceira são mais uma prova da inviabilidade e do desperdício de dinheiros públicos suscitado pela opção política que levou à construção de uma incineradora claramente sobredimensionada na ilha Terceira”, frisou Paulo Mendes numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

As autarquias de Angra do Heroísmo (Açores) e Funchal (Madeira) assinaram na semana passada um acordo de geminação e o autarca madeirense disse, em declarações ao jornal local Diário Insular, que havia perspetivas de colaboração entre as duas cidades no tratamento de resíduos.

Segundo Paulo Mendes, a Empresa Municipal de Gestão e Valorização Ambiental da Ilha Terceira (TERAMB), que gere a incineradora, está disposta a tratar os resíduos da Câmara Municipal do Funchal “quase de graça”, porque neste momento depende do lixo do aterro e com esses resíduos é “impossível manter a incineradora a funcionar e ainda mais a produzir energia”.

“A TERAMB receberá, segundo informações que temos, 25 euros por tonelada para obter resíduos para alimentar o monstro que criou, ficando a autarquia do Funchal com a despesa do transporte. É um preço demasiado baixo”, frisou, alegando que o município paga 80 euros por tonelada para tratar resíduos na Madeira.

Segundo o co-coordenador do BE/Açores, a viabilização da incineradora poderá colocar em causa as metas da reciclagem para 2020, uma vez que para produzir energia é necessário “material com valor calorífico elevado, como é o caso do plástico”.

Paulo Mendes reiterou que a incineradora da ilha Terceira está “sobredimensionada”, alegando que tem capacidade para tratar 66 mil toneladas de resíduos por ano, o que equivale ao lixo produzido por todas as ilhas dos grupos central e ocidental, incluindo materiais recicláveis e não recicláveis.

“O futuro acordo com a Câmara Municipal do Funchal tem contornos de quem está a correr atrás do prejuízo, neste caso a Câmara Municipal de Angra, que precisa de resíduos a toda a força para viabilizar a sua incineradora”, frisou.

 

 

 

 

Lusa/+central

 

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