Um motivo de esperança

Opinião de Maria do Céu Patrão Neves

Patrão NevesQuando olho para os dias que passaram neste mês de Julho vejo-os marcados pela violência e pelo sofrimento.

Recordo Nice e os seus 84 mortos, os seus 300 feridos, as famílias que choram. Recordo Munique e os seus 9 jovens mortos, os seus pais destroçados. Recordo Ansbach e os 12 feridos que sobreviveram à explosão suicida. Recordo ainda na Alemanha o ataque com um machado e uma faca aos passageiros de um comboio e a morte de uma mulher, também com uma faca de mato, em Reutlingen. Recordo o Padre Jacques degolado na igreja de Saint-Étienne-du-Rouvray.

Recordo para não ficar anestesiada como já receio estar perante os atentados terroristas em países mais distantes… Este mês ouvimos a notícia e vimos as imagens de ataques terroristas em: Daca e Kishoregoni, no Bangladesh; Jeddah e Medina, na Arábia Saudita; Surakarta, na Indonésia; Halsakch, na Síria; Aden, no Iémen; Cabul, no Afeganistão; Mogadíscio, na Somália; e no Iraque, em Al Kageniya, em Balad e em Bagdade onde a carnificina foi extrema com 130 mortos e 200 feridos… Neste mês de Julho foram assassinadas pelos terroristas islâmicos 900 pessoas em 13 países, para além de mais de mil feridos entre os quais alguns morrerão, outros ficarão estropiados e quase todos com profundas marcas psicológicas.

Volto a olhar para os dias que passaram neste mês de Julho à procura de algo diferente e irrompe, brutal, o golpe de Estado perpetrado por Erdogan na Turquia. Não, não me enganei: não me refiro ao politicamente correcto golpe “fracassado” das forças armadas turcas, mas ao “muito bem-sucedido” golpe presidencial que lançou para a linha da frente uns rapazinhos do exército, desorientados e assustados – como as imagens daquela noite mostraram. Tivesse o exército turco, um dos mais poderosos e profissionais da NATO, querido destituir Erdogan e este seria hoje apenas uma memória. O ditador tornou-se tirano e prendeu altas patentes militares, juízes, professores universitários, comunicação social, em suma, decapitou a inteligência turca para manipular agora sem quaisquer obstáculos as volúveis massas. Sobre os presos, os destituídos e os demais que em qualquer momento possam ser percepcionados como constituindo qualquer tipo de ameaça pendem agora todas as sevícias, suspensa a Convenção Europeia dos Direitos Humanos e em curso a reinstalação da pena de morte.

A história repete-se… Erdogan leu-a e segue-a; os países ocidentais deixam-se mais uma vez seguir, esquecidos das lições da II Guerra Mundial. Quanto mais o monstro crescer mais difícil será de vencer e ele já é enorme.

Volto, mais uma vez, a olhar para os dias que passaram neste mês de Julho de novo à procura de algo diferente e encontro, na semana que vivemos, um horizonte de esperança… Vejo um campo imenso, a perder de vista, cheio de cor e movimento, com um sem número de bandeiras que braços firmes agitam na cadência harmoniosa das vozes que enchem a atmosfera de cânticos, suaves na mensagem e poderosos na emoção que os anima. São os jovens peregrinos que chegaram de todos os continentes, de mais de 180 países, com a sua diferente história, cultura, língua…e iguais na fé que a todos os une. Comunicam através do sorriso a mensagem avassaladora dos valores cristãos: o amor, a paz, a partilha, a solidariedade, o perdão, a esperança. Acreditam que é possível construir um mundo novo com estes pilares e oferecem-se como construtores. Enquanto houver uma juventude assim, acredito também.

 

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