Trabalhar para que fiquem — Opinião de João Costa

João Bruto da CostaA generalização do uso das redes sociais como o facebook veio ampliar o conhecimento sobre assuntos mais ou menos privados da vida dos seus utilizadores que partilham momentos pessoais, do seu trabalho, da sua família e amigos ou simplesmente assuntos que lhes interessam.

A sociedade passou a conhecer pormenores da vida das pessoas e, mesmo quando não nos são chegadas, somos levados a viver com maior proximidade alguns dramas pessoais ou de uma comunidade.

Por vezes, mesmo que não haja uma relação pessoal próxima com quem vai partilhando questões da sua vida pessoal, damos connosco a viver os assuntos de outros, a sentir alegria ou tristeza pelos acontecimentos da vida de quem até nem nos é muito chegado e que até nem conhecemos muito bem.

Deixando de lado os aspectos menos positivos de andar meio mundo a saber da vida de outro meio, o facto é que passámos a ter melhor conhecimento das pessoas, em especial nas comunidades pequenas, em que para além de conhecermos as pessoas pelo que publicam nos seus perfis também sabemos quem elas são, as suas famílias e profissões.

É assim que, mesmo quando não nos são pessoas próximas, temos sentimentos diversos sobre os acontecimentos da sua vida, alegrando-nos ou entristecendo-nos, consoante a sensibilidade e importância que damos a alguns temas que vão sendo partilhados. Também em relação àqueles que conhecemos melhor, que são nossos amigos ou familiares, damos connosco a saber das questões que vão partilhando e que até nem conhecíamos da sua vida pessoal.

Quando menos esperamos ficamos a saber de assuntos que nos preocupam e que nos interessam, porque dizem respeito a toda a comunidade em que estamos inseridos.

Nesse sentido, sentimos um aperto no coração cada vez que vemos alguém da nossa ilha informar que vai procurar fazer vida para outro local. Pode até nem ser pessoa muito próxima ou amigo de conversas diárias.

Pode até ser alguém que não partilha as mesmas ideias de sociedade ou políticas mas perturba-nos saber que mais alguém se prepara para fazer a sua vida longe da ilha.

Nos últimos anos tem sido uma constante.

Por vezes nem damos conta mas quando começamos a contabilizar quantos têm deixado a ilha para procurar um melhor futuro noutras paragens percebemos o quanto a ilha fica a perder com a partida de muitos e o quanto fazem falta.

Mas se por um lado nos revolta esta necessidade de partida de muita gente com valor, por outro lado sentimos uma permanente motivação em nos batermos por alterar este estado de coisas.

As ilhas com menor população estão a exportar gente de valor que vai contribuir para o desenvolvimento de outras comunidades, porque não encontraram soluções para fazer a sua vida na sua terra.

Partem de lágrima no olho e de coração nas mãos com a esperança de encontrar melhor futuro para poderem, mais tarde, voltar à sua terra.

Pelo caminho ficam os sonhos de uma vida, o desejo de vencer na sua ilha, a vontade de contribuir para um melhor futuro para a terra dos seus pais.

Há, portanto, uma urgente necessidade de encontrar respostas que possibilitem mais oportunidades para quem quer fazer a sua vida na ilha, junto de quem gostam.

Essa é a grande prioridade do nosso tempo e é nela que devemos sentir motivação para continuar a trabalhar por um futuro diferente, arredado da fatalidade das partidas.

Há muito para fazer, não podemos baixar os braços e ceder perante as dificuldades.

Essa é uma exigência das futuras gerações que não queremos conhecer apenas pelo mundo virtual!

 

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