Taxa de desemprego nos Açores: Governo e TSD com diferentes leituras dos números divulgados pelo INE

Os dados do emprego nos Açores referentes ao primeiro trimestre de 2018, divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) têm diferentes leituras por parte do Governo regional e pelos Trabalhadores Social Democratas (TSD).

No entender do Vice-presidente do Governo, estes números evidenciam a trajetória decrescente do desemprego e de crescimento do emprego nos Açores.

“Há 15 trimestres consecutivos que se regista uma redução homóloga da taxa de desemprego, ou seja, face ao mesmo período do ano anterior. Regista-se, também, há 15 trimestres consecutivos, uma redução da população desempregada face ao mesmo trimestre do ano anterior, e há seis trimestres consecutivos que se verifica um aumento da população empregada face ao período homólogo”, frisou Sérgio Ávila, em reação à publicação dos dados.

O governante salientou ainda que nos últimos três trimestres tem-se verificado que a taxa de desemprego, no conjunto destes três trimestres, “é a mais baixa dos últimos sete anos”, sustentando que o número de açorianos desempregados “é o mais baixo dos últimos sete anos” e a população empregada nos Açores, no conjunto dos últimos nove meses, “regista os valores mais elevados de Açorianos empregados dos últimos nove anos”.

“Face, por exemplo, há quatro anos atrás, hoje existem nos Açores mais 12.487 Açorianos empregados e menos 10.794 Açorianos desempregados”, afirmou Sérgio Ávila, considerando que os dados agora revelados pelo INE evidenciam uma “trajetória de decréscimo do desemprego e de crescimento do emprego, face ao mesmo período do ano anterior, há 15 trimestres consecutivos”.

Já para os TSD, o desemprego “é um problema grave na Região, sendo uma preocupação que temos razões para manter, quando se constata que o desemprego cresce nos Açores há seis meses”.

“Qualquer que seja a sua expressão estatística, a falta de emprego é um drama social para quem vive essa situação. E tudo isso é mais grave quando o desemprego cresce sucessivamente nos Açores há seis meses, com uma tendência inversa à verificada na média nacional, e com valor bastante superior àquele que se regista no país”, afirmou Joaquim Machado, em conferência de imprensa.

Segundo o dirigente social democrata, a taxa de desemprego real “é significativamente superior – deverá ser muito próxima dos 14% – quando considerados também os seis mil açorianos que estão integrados em programas ocupacionais. Ou seja, mais de 17 mil açorianos não têm emprego, o que se confirma pelo elevado número de beneficiários do RSI e o facto de sensivelmente dois terços dos alunos da Região estarem abrangidos pela Ação Social Escolar”.

“A situação desmente, portanto, a propaganda descarada do Governo regional, que sem pudor diz que a economia e as finanças estão bem e se recomendam, chegando ao ridículo de se comparar com outras economias europeias”, adiantou o líder dos TSD no arquipélago.

Para Joaquim Machado, “a propaganda pode ser boa, mas a realidade é bastante diferente”, porque “as políticas de promoção do emprego falham em toda a linha, porque temos a segunda taxa mais alta de desemprego do país, e porque estamos acima da média nacional”.

“O desemprego desce no país há 24 meses e, nos Açores, sobe nos últimos seis meses. Só há uma justificação para este estado de coisas, a incompetência política do Governo Regional”, criticou o responsável pelos trabalhadores social democratas na Região.

Ao fenómeno do desemprego crescente “junta-se a prevalência de baixos salários e o problema da precariedade e dos contratos, nomeadamente na Função Pública regional, onde também a realidade desmente a propaganda”, frisou Joaquim Machado.

No caso da Função Pública, “é o próprio Governo Regional a insistir na manutenção de casos de precariedade, desde logo com centenas de professores, mas também noutras áreas, a quem não se procedeu ainda à regularização de vínculos contratuais, ao arrepio do que está sendo feito a nível nacional”, destacou.

Segundo Joaquim Machado, “as 700 vagas anunciadas pelo Vice-Presidente do Governo tão pouco vão resolver estes problemas. Aliás, é mais uma manobra de pura propaganda, pois ninguém sabe, ao certo, qual é o número líquido de vagas a abrir na Administração Regional, isto é, de novos postos de trabalho, quando se deduzir a regularização dos vínculos, se preencherem as vagas deixadas pela passagem à reforma e se fizer a integração nos quadros de trabalhadores dos programas ocupacionais, mas que verdadeiramente correspondem a necessidades permanentes”, explicou.

“Somos assim forçados a concluir mais duas coisas: que a crise continua nos Açores e que a governação de Vasco Cordeiro é bem pior do que a governação de António Costa”, concluiu o líder regional dos TSD.

 

Foto: Direitos Reservados

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