“Só a sociedade açoriana pode pressionar a mudança de rumo nas políticas regionais”

O coordenador regional do PCP/Açores considera que, em 2018, só a sociedade açoriana “pode pressionar e condicionar o rumo político na Região”.

Em entrevista ao jornal Correio dos Açores, Vítor Silva entende que tem faltado “coragem política ao PS/Açores para combater, com medidas concretas, alguns dos flagelos que atingem a Região, como a pobreza e a exclusão social, combatendo as causas do problema, que são os baixos rendimentos, a qualidade do trabalho, a baixa formação académica e profissional e a elevada precariedade”, acrescentando que “vai depender da própria sociedade açoriana, e da intervenção desta, para pressionar e condicionar o rumo político na Região”.

O dirigente comunista elege a precariedade laboral como o mais grave problema nos Açores, com tendência a agravar-se.

“É fundamental exigir que a cada posto de trabalho de natureza permanente corresponda um vínculo de trabalho efetivo. É necessário combater a utilização ilegal dos contratos a prazo, do trabalho temporário, da subcontratação, de estágios, as falsas prestações de serviços e as discriminações no acesso ao emprego. A precariedade generalizada, bem como a abundância de programas ocupacionais, contribui para a existência de cada vez maior pressão sobre os trabalhadores, forçados a todo o tipo de condições, com horários alargados e polivalência de funções, fazendo com que vários postos de trabalho acabem por ser preenchidos por apenas um trabalhador, com os óbvios efeitos em termos do desemprego na Região. A precariedade vai muito para além da questão laboral: é a precariedade da família, é a precariedade da vida, mas é igualmente a precariedade da formação, das qualificações e da experiência profissional, é a precariedade do perfil produtivo e da produtividade do trabalho. A precariedade laboral é, portanto, um factor de instabilidade e injustiça social, que urge combater”, afirmou Vítor Silva ao jornal açoriano.

Olhando para 2017, o coordenador dos comunistas açorianos destaca o impacto positivo das medidas nacionais de reposição de rendimentos, do aumento de salário mínimo nacional — embora considere que são ainda insuficientes — e da recuperação de direitos por parte dos trabalhadores, que alteraram positivamente os indicadores sociais e económicos e acima de tudo demonstraram a falência da política de austeridade da troika e do anterior governo.

Como negativo, Vítor Silva elege a impossibilidade do PS/Açores em seguir a linha posta em prática a nível nacional de reposição de rendimentos e direitos, quando, por exemplo, mais uma vez votou contra o aumento do acréscimo regional ao salário mínimo nacional de 5%, para 7,5%. Outro ponto negativo que destaca é a situação calamitosa em que se encontra o setor público empresarial regional, setor que tem todas as condições para ser pujante e ser uma referência a nível económico e social.

 

 

 

 

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