Sandro Paim acusa Governo dos Açores de bloquear execução da plataforma logística na Terceira

O presidente da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) acusou hoje o Governo dos Açores de bloquear o desenvolvimento e execução do Plano Açores Logístico — plataforma logística no porto da Praia da Vitória.

Na edição diária do jornal Diário Insular, Sandro Paim revela que “o projeto está todo pronto”.

“Em determinada altura, para convencermos o Governo Regional a continuar com este processo, dissemos que ele não implicaria nenhum investimento público, isto é, que iríamos avançar até ao ponto de concessionar, abrindo um concurso público internacional – se aparecessem privados que quisessem investir ótimo, se não a Câmara de Comércio não iria reivindicar qualquer investimento público. E mesmo assim estou há três meses a aguardar uma reunião com a senhora secretária [dos Transportes e Obras Públicas] para apresentar a versão final”, salienta, avançando que haverá, pelo menos, dois investidores interessados, um deles chinês.

Segundo o presidente da associação de empresários, este plano de negócios pressupõe um investimento de 200 milhões de euros para uma movimentação de um milhão de euros por ano, no limite, para gerar uma receita fiscal de 35 milhões de euros anuais e cerca de 300 postos de trabalho.

Questionado sobre os motivos da não concretização do projeto, Sandro Paim considerou que há, por parte da “governança em geral”, tendência para, no modelo de desenvolvimento da Região, dar uma importância maior ao setor público, relegar o investimento privado para segundo plano e, até, desconfiar dele.

“Quando há essa visão do desenvolvimento de uma região, o que acontece é que se olha sempre com desconfiança para a dimensão privada do modelo de desenvolvimento regional. Isso está a levar a que haja tendencialmente mais centralismo na Região – e tendencialmente, também, um desenvolvimento menos harmónico e menos complementar. Nós andamos a discutir, também, outra vertente estratégica que é o cais RO-RO para Angra do Heroísmo, um investimento de cinco ou seis milhões de euros e tarda a acontecer, tarda a haver decisão, os presidentes das Câmaras reclamam, a Câmara de Comércio identifica o problema, mas depois facilmente se cria um segundo RO-RO em São Miguel, com um investimento de 30 milhões. Não estou a dizer que isso é propositado – provavelmente não, mas o modelo está a levar a que isto aconteça frequentemente”, sublinhou o ainda responsável.

Sandro Paim revela ainda, nesta entrevista, que não se recandidata à presidência da direção da CCAH, realçando que, nos últimos 15 anos, “conseguiu superar todos os objetivos a que se propôs à exceção dos projetos estratégicos de longo prazo”.

 

 

 

 

DI/+central

 

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