Roberto Silva apresenta “pública contrição” por atitude homofóbica mas declara que não se demite

O presidente da Câmara das Lajes do Pico, acusado de tecer um comentário homofóbico, manifestou hoje “pública contrição” pelo “desabafo” expresso numa correspondência privada, afirmando que não se demite.

Num esclarecimento, Roberto Silva diz que o “vocábulo da gíria popular” por si usado numa correspondência eletrónica foi escrito “sem qualquer intenção que configurasse qualquer juízo de valor quanto à personalidade” do promotor cultural Terry Costa, visado no texto, “e muito menos sem qualquer intenção que visasse diminuir em nada o seu carácter, o seu comportamento intelectual e social, ou, muito menos, qualquer das suas opções ou orientações sexuais”.

Roberto Silva foi acusado de tecer um comentário homofóbico ao dirigente da associação cultural MiratecArts, sendo criticado por várias entidades e partidos, inclusive pelo próprio PS, pelo qual foi eleito.

Em causa está uma proposta que a MiratecArts, liderada por Terry Costa, apresentou à câmara açoriana e que passava pela oferta de livros a crianças e jovens das Lajes do Pico durante a edição de 2018 da Semana dos Baleeiros.

O autarca, Roberto Silva, respondeu internamente ao pedido de apoio por email utilizando uma palavra homofóbica (paneleirão), tendo a mensagem chegado a Terry Costa.

O caso remonta a julho, mas só em agosto a associação MiratecArts divulgou um comunicado explicando a situação.

Hoje, Roberto Silva advogou que em vez do termo empregue no email “poderiam, por mera hipótese e em geral, ter sido expressas palavras distintas, como ‘chico-esperto’, ‘vedeta’ ou ‘artista’”, palavras “que definissem comportamentos e atitudes de relacionamento, mas nunca com a intenção de discriminar alguém, muito menos sob qualquer ponto de vista com conotação com qualquer orientação sexual”.

“A expressão empregue, sempre no foro de correspondência privada e que nunca por nunca haveria de ter sido divulgada, semelhante a muitas outras da gíria popular, não é feliz, nem adequada, em especial se tivermos em conta o cargo político que desempenho, não pelo significado que literal, social e até politicamente lhe querem atribuir, mas porque, de modo nenhum, representa, nem na essência nem na forma, o meu modo de estar e de me interrelacionar com as pessoas e com a comunidade”, prossegue o autarca eleito pelo PS.

O “desabafo” ocorreu, justifica ainda, por a associação cultural de Terry Costa ter “rasgado” em 2017 um “importante compromisso com a Câmara das Lajes, facto com inegável impacto no plano eleitoral” do concelho.

“Admito que a expressão empregue pôde, pelo enquadramento feito por terceiros, embora errado, ter adquirido uma conotação pejorativa, o que, acentuo, de modo nenhum correspondeu à intenção no momento da sua escrita, pois não passou de uma designação de puro e espontâneo desabafo e até de indignação face a uma nova proposta de parceria apresentada pela MiratecArts à Câmara das Lajes”, continua o presidente da autarquia da ilha do Pico.

Roberto Silva é presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico desde 2009, cumprindo atualmente o terceiro mandato.

 

 

Foto: Direitos Reservados

Lusa/+central

 

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