Roberto Monteiro quer honrar compromissos do município da Praia da Vitória

O presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória lançou, ontem, dois desafios que passam pelo honrar dos compromissos assumidos pelo município e exigir que entidades externas cumpram igualmente os seus.

“A nossa orientação estratégica é ter obsessão em cumprir o que depende de nós e não deixar que os outros não cumpram para connosco”, afirmou Roberto Monteiro na cerimónia comemorativa do 36º aniversário da elevação da Praia da Vitória a cidade, enfatizando que “nós temos a razão e a justiça nos apelos que fazemos e por isso a consideração que reivindicamos é muito mais do que legítima”.

Falando para um Auditório do Ramo Grande repleto, o autarca baseou a sua intervenção nas 17 letras que compõem a frase “Praia do Meu Coração”, ora recordando as marcas dos seus três mandatos ora deixando os seus conselhos para o futuro do Concelho.

Mas a sua principal atenção centrou-se em duas palavras: Desafios e Orientação.

“A prioridade de todos os desafios é a criação de emprego sustentável. A criação de emprego no Concelho depende da nossa ação, mas, infelizmente, está muito mais condicionada pela ação de terceiros. O futuro da Praia da Vitória, em virtude da afetação das suas principais infraestruturas a atividades militares e dos múltiplos condicionalismos sobre a gestão do território, está dependente do Estado português e nalgumas ações da vontade política do Governo Regional dos Açores”, enquadrou o edil praiense.

Dividindo esses desafios em dois grupos — os dependentes da ação externa ao Município e os concretizáveis pela Autarquia — Roberto Monteiro entende que urge potenciar as infraestruturas logísticas do concelho – porto e aeroporto – , a resolução dos efeitos sociais e ambientais colaterais à Base das Lajes, a criação no Concelho de novas valências do Estado, a execução de um programa de regeneração e revitalização do comércio da cidade e uma visão de médio e longo prazos para as pessoas nos programas ocupacionais nas entidades públicas, cuja resolução depende da República e da Região.

“A potenciação das nossas infraestruturas logísticas passa, obrigatoriamente pela concretização de um terminal de passageiros no molhe americano, assumindo-se uma utilização partilhada da estrutura. Mas passa também pela criação de um entreposto logístico, aduaneiro e de abastecimento de LNG no porto comercial, sob gestão privada concessionada. E, no caso do aeroporto, urge a criação de zona demarcada que possibilite dinamização da atividade económica da aeronáutica civil”, defendeu.

“No que concerne à resolução dos efeitos sociais e ambientais colaterais à base das lajes, identifico como desafios: o financiamento da legalização das AUGIS; o equilíbrio e bom senso na regulamentação da servidão militar; uma solução urbanística para as dezenas de casas abandonadas nos bairros residenciais americanos; o financiamento de um projeto alternativo para abastecimento de água ao bairro americano e a habitações em Santa Rita; uma solução de compromisso para o processo de descontaminação ambiental; e uma resolução para o problema de discriminação financeira deste município no âmbito da utilização do recurso água no abastecimento gratuito à base das Lajes”, adiantou, defendendo, depois, a instalação, na cidade, do Tribunal de Família, Menores e Trabalho da Ilha Terceira.

Relativamente à revitalização do comércio local na cidade, Roberto Monteiro recordou tratar-se de uma medida incluída no PREIT e que, em seu entender, este programa “deve ter como pilares diferenciadores a vertente fiscal e incentivos à abertura e modernização de lojas de caracter diferenciador”.

“Mas não podemos apenas exigir que os outros cumpram connosco. Temos também de saber continuar a concretizar as nossas responsabilidades. No âmbito da dinamização da atividade económica é nosso dever continuar o fomento do empreendedorismo, criar novas áreas de localização empresarial; captar novos investimentos; apostar na incubação empresarial; e dinamizar a qualificação da mão-de-obra disponível no Concelho”, explicou.

“Temos de continuar a modernização a administração, reforçando a proximidade com os cidadãos e respondendo com maior celeridade e qualidade aos novos problemas; temos de reforçar a consolidação financeira da Autarquia, por via da redução anual do endividamento municipal; temos de garantir a adequada conservação e reprodutividade das infraestruturas, do projetos e dos programas municipais; e temos de focar-nos na produtividade permanente dos nossos recursos”, sublinhou.

“Acompanhar as mutações sociais”

Depois de agradecer a presença de Carlos César- que foi o orador convidado desta sessão comemorativa – e de lhe manifestar a sua admiração enquanto “um dos melhores políticos nacionais”, Roberto Monteiro alertou para a necessidade de se “continuar a compreender as alterações e novos desafios que se colocam aos Praienses”.

“Fizemos e fazemos da proximidade às pessoas a nossa marca distintiva e do diálogo o vértice do dinamismo e da melhoria contínua. A continuidade da eficácia da nossa ação passa, obrigatoriamente, por acompanhar e compreender as mutações sociais. Cada segmento populacional no Concelho, hoje, carece de respostas diferentes e focadas nos novos problemas”, argumentou.

Para o autarca, “a resposta eficaz aos problemas das pessoas passa por fazer melhor e diferente”.

“A reinvenção de soluções gerou novas dinâmicas; as novas dinâmicas criaram motivação na ação em prol dos que mais precisam de nós. Temos de continuar a reinventar porque os problemas são cada vez mais complexos e os recursos mais escassos”, aconselhou.

Daí que para Roberto Monteiro a base para a contínua resposta aos problemas locais assenta muito no inconformismo.

“O futuro da nossa terra dependerá de sermos capazes de nunca nos conformarmos. Temos a obrigação de continuar a querer sempre mais, mas de saber muito bem o que devemos querer”, disse.

“Somos um município com ADN inovador. Desenvolvemos projetos e programas únicos, que fazem a diferença na vida dos praienses. Continuamos a gerar e a implementar ações municipais inovadoras. Ainda no decurso deste mês iremos avançar com os programas “segurança para idosos” e “saúde oral sénior”. Acabamos de arrancar com o maior programa de formação em negócios desenvolvido em Portugal e estamos determinados a ser sempre pró-ativos e atuantes”, exemplificou.

Abertura, União e Coração

Como marca identitária dos seus três mandatos como presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Roberto Monteiro destacou a abertura e o diálogo, defendendo serem estruturais para a implementação de um modelo de desenvolvimento com que os munícipes se identifiquem.

“A aposta numa organização e numa sociedade desafiadas a participar trouxe-nos indiscutível valor acrescentado. Esta nossa conduta, cívica, e política, apresenta resultados de que muito nos orgulhamos: planos e orçamento aprovados por unanimidade; um Plano Estratégico de Desenvolvimento Local construído e validado com a colaboração de todos; regulamentos municipais com aprovação unânime”, recordou, antes de exemplificar que a mesma genética está a acontecer na revisão do Plano Diretor Municipal.

“Cumpre-nos a missão de ouvir e falar com as pessoas, mas também de ver mais além porque servir é também construir o futuro”, sublinhou, dando conta de um conjunto de conselhos que, em seu entender, devem ser a sustentação de qualquer liderança.

“O que realmente conta não é o que sabemos ou conhecemos. O que realmente conta é aquilo que executarmos, tendo por base a capacidade de ouvir e de não ter medo de questionar e aprender. Se queremos vencer os desafios, ou seja, ter resultados no nosso desempenho, temos de fazer da união uma missão. É nosso dever fomentar um ambiente de envolvimento coletivo e de aprender e melhorar a geração de dinâmicas positivas entre os setores públicos, privado e sociedade civil”, defendeu.

“Ganhar o futuro exige uma sociedade civil informada, disponível para cooperar e com ética para criticar. Os nossos problemas e desafios são coletivos e não individuais. Não nos esqueçamos: nestas questões, há a responsabilidade do Estado e dos órgãos públicos; há a responsabilidade de quem lidera; mas há também a responsabilidade da sociedade civil”, sublinhou.

“O nosso concelho tem potencialidades únicas para crescer e prosperar. Nunca podemos deixar de sonhar e de acreditar. Nunca devemos ter medo de enfrentar aqueles que prejudicam a nossa terra e a nossa gente. Nunca, mas nunca, podemos perder o rumo de fazer da nossa terra um lugar melhor para viver e para sonhar”, desafiou na parte final da sua intervenção.

“O nosso projeto sempre teve alma e coração. Muitos fizemos e ajudamos. Mas há e haverá sempre muito mais por fazer. É, portanto, essencial a disponibilidade para servir. Foi o sonho que sempre tive desde criança. Um sonho que concretizei e que, 12 anos depois, continua vivo. Foi uma honra e um privilégio servir a Praia da Vitória, a Terceira e os Açores nestes 12 anos fantásticos da minha vida”, terminou.

A sessão comemorativa do 36º aniversário da elevação da Praia da Vitória a cidade iniciou-se com um minuto de silêncio pelas vítimas dos incêndios em Pedrógão.

Homenagens

Na cerimónia do 36º aniversário da elevação da Praia da Vitória a cidade foram homenageados o jovem empresário João Rocha (Medalha de Mérito Municipal em bronze), as empresárias Luísa Ficher e ngela Vieira (Medalha de Mérito Municipal em bronze) e o músico Luís Gil Bettencourt (Medalha de Mérito Municipal Valor Cultural em Prata).

Em reconhecimento dos 25 anos de atividade, foram também agraciadas com a Medalha de Mérito Municipal Valor Cultural em Bronze a Associação de Apoio à Criança da Ilha Terceira – AACIT, o Grupo Folclórico de São Brás e a Associação Recreativa e Cultural da Casa da Ribeira.

Pelos 500 anos da sua sagração, foi homenageada com a Medalha de Mérito Municipal Valor Cultural em Prata Vermeille a Igreja Matriz da Praia da Vitória.

Este ano, foram também homenageados, com a Medalha de Mérito Municipal em Prata, todos os presidentes dos órgãos autárquicos do Concelho, com eleição direta, com o mínimo de três mandatos completos ou com 12 ou mais anos no exercício da presidência do órgão.

“Uma mais do que justa homenagem às mulheres e homens que, por voto popular, se prontificaram e voluntariaram a servir o destino das nossas freguesias e do nosso município, empenhando-se, com o seu melhor saber e competência, na busca das melhores soluções para o presente e futuro dos Praienses”, justificou o presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória.

Pelos seus mandatos como presidente da Câmara Municipal (1994-97, 1998-01 e 2002-05), foi homenageado José Fernando Diniz Gomes.

Pelos seus mandatos como presidentes de Junta de Freguesia, foram homenageados: Manuel Toledo Valadão (Agualva – 1976/1979, 1985/1989 e 1989/1993); Francisco José Martins Teixeira dos Santos (Agualva- 1994/1997, 1998/2001, 2002/2005, 2005/2009); Aníbal Nunes Cota (Biscoitos – 1976/1979, 1979/1982 e 1982/1985); Manuel do Couto Fagundes (Biscoitos – 1990/1993, 1994/1997, 1998/2001); Francisco Ernesto Silva Costa (Cabo da Praia – 1977/1979, 1980/1982 – 1986/1989, 1990/1993, 1994/1997); José Avelino dos Santos Simões Borges (Cabo da Praia – 2002/2005, 2005/2009, 2009/2013); José Luís Correia Azevedo (Fonte do Bastardo – 1990/1993, 1994/1997, 1998/2001); Martinho Fernando de Andrade Diniz (Fonte do Bastardo – 2002/2005, 2005/2009, 2009/2013); José Carlos de Lima Meneses (Fontinhas – 1998/2001, 2002/2005, 2005/2009); Manuel Linhares de Lima (Vila das Lajes – 1976/1979, 1982/1985, 1985/1989 e 1989/1993); Elmano Manuel Vieira Nunes (Vila das Lajes – 1998/2001, 2002/2005, 2005/2009, 2009/2013); Ana Rita Meneses Branco (Porto Martins – 2002/2005, 2005/2009, 2009/2013, 2013/2017); José Gabriel Martins Coelho Lopes (Quatro Ribeiras – 1980/1982, 1983/1985 – 1990/1993, 1994/1997, 1998/2001); Diamantino Barcelos de Melo (Santa Cruz – 1994/1997, 1998/2001, 2002/2005, 2005/2009); e José Borges Valadão (Vila Nova – 1976/1979, 1985/1989 e 1989/1993).

 

 

 

 

Foto: CMPV

GC CMPV/+central

 

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