República quer “montar um grande projeto” na área do lançamento de microssatélites

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, reuniu hoje várias empresas tecnológicas portuguesas com o objetivo de “montar um grande projeto” com a Agência Espacial Europeia (ESA) na área dos micro lançadores de satélites.

“Usámos a oportunidade de estar uma grande equipa da ESA (para uma reunião) em Portugal para hoje preceder essa reunião de um ‘workshop’ técnico apenas com equipas portuguesas para montarmos um grande projeto para desenvolver a capacidade industrial e tecnológica em Portugal na área dos micro lançadores”, disse o governante à agência Lusa, num intervalo da reunião, em Lisboa.

A ideia de fazer de Portugal um ativo na área do espaço, incluindo a instalação de um novo centro de lançamento de satélites nos Açores, “só faz sentido se contribuir decisivamente para o desenvolvimento económico, para a criação de emprego” no país, afirmou.

“Para isso, estamos a trabalhar desde já com a ESA para criar um grande programa para desenvolver capacidade tecnológica e industrial nas nossas empresas nesta área”, referiu o ministro.

A ESA assinala em Portugal os 25 anos do programa “General Support Technology” (GSTP), com uma conferência internacional organizada com a colaboração da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a Agência Ciência Viva.

Na véspera do encontro, Manuel Heitor explicou que a área aeroespacial vai desde a microeletrónica aos temas de imagem, indicando que as empresas portuguesas mais ativas no setor que têm tido contratos com a ESA são cerca de 40.

“Mas isto tem um leque muito vasto, desde a metalomecânica de precisão”, adiantou o ministro, que hoje reuniu a ESA com “o conjunto dos potenciais atores para um projeto” com início previsto para 2019.

“Isto é um projeto demonstrador de tecnologias de micro lançadores, que depois poderão originar a construção de micro lançadores nos Açores mais tarde”, precisou.

“Para poder ter alguma coisa para lançar para os Açores é preciso desenvolver capacidade. Estamos a desenvolver a capacidade científica para garantirmos que um serviço de lançadores no futuro tem verdadeiro impacto na criação de emprego e no desenvolvimento empresarial em Portugal”, acrescentou Manuel Heitor.

Entre os participantes na reunião, estiveram representantes da ActiveSpace, do CEIIA, da Critical Software, da Deimos Engenharia, da Efacec, da Tekever, do INEGI e da Omnidea.

O trabalho que está em preparação “não se limita a ter um porto espacial nos Açores”, frisou o ministro, escusando-se a avançar que declarações de interesse já foram apresentadas para aquela infraestrutura, a instalar na ilha de Santa Maria, e cujo prazo de submissão decorre até ao final do mês.

Para a conferência dos próximos dias, esperam-se mais de 140 participantes “de toda a Europa”.

A reunião de hoje destinou-se a preparar o programa de capacitação das empresas portuguesas com a ESA para garantir que a instalação de um serviço de lançadores de satélite está “associada ao desenvolvimento da indústria” em Portugal.

“O espaço tem esta capacidade de atrair um leque muito diversificado de empresas que fazem sobretudo engenharia de precisão”, declarou.

O responsável de uma das empresas presentes, a Omnidea, que faz válvulas, sistemas de eletrónica e de mecânica de precisão, para utilização em foguetões, está a coordenar a proposta portuguesa.

Tiago Pardal disse à Lusa que o objetivo é “chegar ao espaço”, agregando num consórcio nacional todas as competências necessárias para o desenvolvimento de produtos para micro lançadores.

“A nossa ideia é começar a desenvolver todas as peças de lego necessárias que no fim, montadas, nos permitam ter um veículo para chegar ao espaço”, especificou.

Questionado sobre a ambição, respondeu “o espaço é infinito”.

 

 

Foto: Direitos Reservados

Lusa/+central

 

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