Professores insatisfeitos com posição do Governo dos Açores e não afastam greve

Apesar do compromisso do Governo dos Açores de que os professores beneficiarão da solução que for consagrada a nível nacional, relativamente às questões do descongelamento das carreiras e da contagem do tempo de serviço que esteve congelado, os dois sindicatos de professores da Região mostram-se insatisfeitos, mantendo a possibilidade de greve.

Vasco Cordeiro garantiu hoje, após audiência com o Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) e o Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA), que “em relação à questão dos descongelamentos, o Governo dos Açores assume, totalmente e sem reservas, a solução que for consagrada a nível nacional. Também assume, totalmente e sem reservas, o compromisso de praticar na Região a contagem de tempo de serviço que for definida a nível nacional”.

Esta posição do Governo dos Açores foi transmitida, de forma clara, aos representantes dos sindicatos, assegurou Vasco Cordeiro, ao precisar que a, “nível nacional, há nove anos para recuperar, enquanto, na Região, há sete anos para recuperar”.

“Nós entendemos que esta diferença de tempo não é motivo para atrasarmos o que quer que seja na Região, ou seja, o facto de termos menos tempo para recuperar nos Açores, não é razão para que se siga um processo mais demorado aqui na nossa Região”, afirmou.

Nesse sentido, a aplicação do modelo que vier a ser consagrado a nível nacional para a recuperação deste tempo, tendo em conta esta diferença, reverterá em benefício, também, para os docentes dos Açores, disse o Presidente do Governo.

Vasco Cordeiro salientou também que, dos encontros de hoje, ficou ainda o compromisso do Executivo de que qualquer questão nova que surja nos Açores, fruto da aplicação das soluções nacionais e tendo em conta as especificidades da Região, o “Governo dos Açores cá estará para analisar, para dialogar e decidir”.

Ora, para as duas estruturas sindicais, o que ficou da audiência foi “a negação de todas as reivindicações que viemos colocar junto do Governo Regional”.

O presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores, José Gaspar, sustentou que as garantias do executivo açoriano ficam “muito aquém” das reivindicações dos docentes e educadores de infância, considerando que o Governo Regional coloca-se “numa posição de não querer legislar” e de nem querer “tomar decisões numa matéria que tem autoridade e condições para o fazer”.

“O Governo, com esta resposta de total nulidade relativamente as nossas exigências, não cria estabilidade no emprego, não garante condições de exercício condigno e valorizado da profissão docente e não dá nenhum passo no sentido de virar a página da austeridade”, frisou.

O sindicalista admitiu, “num futuro muito próximo, um processo de greve que se manterá por um período relativamente espaçado”, decisão que fez depender de plenários de professores e educadores de infância.

Por seu turno, o presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA), António Lucas, sublinhou que a estrutura sindical tinha outras expectativas, mas não saiu da reunião de “mãos vazias”.

“Tínhamos a perspetiva de ter um percurso negocial próprio, mas o Governo não se manifestou disponível”, referiu António Lucas, realçando que o recurso à greve dependerá, também, de uma decisão em plenário de professores.

 

 

 

 

Foto: GaCS

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