Produtores de leite açorianos só podem receber até 900€ anuais da União Europeia

vacasOs produtores de leite açorianos só poderão auferir, da verba europeia destinada a apoiar o setor leiteiro, até um máximo de 900 euros anuais por empresário agrícola, que serão tributáveis em sede de IRS mais tarde.

Segundo o presidente da Federação Agrícola dos Açores, estas são ajudas que “nos envergonham a todos, mas como são muito publicitadas, toda a gente pensa que estamos a falar de milhões para os lavradores”.

“A União Europeia toma decisões que diminuem o nosso rendimento e nos criam grandes dificuldades e é a própria União Europeia que, depois, nos atribui essas parcas verbas”, afirmou Jorge Rita em entrevista no jornal Diário Insular.

Nas contas do líder da lavoura açoriana, os 900 euros “nem dão para respirar. Isso dá para pagar mais ou menos a média que nós pagamos a um empregado por mês e não chega”.

Jorge Rita lamenta que haja uma descriminação entre empresários agrícolas e outras empresas nos Açores, considerando que o setor agrícola “está desprotegido”.

“Há empresas, em outros setores, que têm os empregados pagos pelo Estado. Estas empresas têm uma vantagem muito maior comparativamente a nós. Há muitas empresas nos Açores, em muitos setores de atividade, que despedem e vão ao fundo de desemprego buscar novos empregados com apoios”, realçou o empresário.

Sobre o novo regime da agricultura familiar, que altera o regime de contribuições para a Segurança Social, o dirigente regional refere que “esta tem sido uma batalha nossa”.

“Esta é uma batalha que vem desde 2010. Entendíamos que os pagamentos da Segurança Social da forma que eram feitos, principalmente pelos jovens agricultores, eram uma grande injustiça”, salienta.

Para Jorge Rita “os que já estavam numa situação mais dramática, continuam numa situação inviável para o futuro”.

“No negócio das vacas não é muito difícil atingir um volume de negócios superior a 100 mil euros. Quando o jovem agricultor ultrapassar os 100 mil euros terá uma tributação na ordem dos 28% que pode chegar a 1000 euros ou 800 ou 750 euros mensais, só para a Segurança Social. Obviamente que estes montantes inviabilizam o negócio de um jovem agricultor com uma exploração agrícola média que tem compromissos financeiros mensais que tem de honrar”, afirmou.

 

 

 

 

Foto: Direitos Reservados

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