Preço do leite: passividade do Governo Regional assusta produtores

O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA) lamentou hoje a postura “passiva” do Governo dos Açores perante a “falência técnica de 70% da produção leiteira” na Região.

“O Governo Regional não pode continuamente estar a assobiar para o lado. Precisamos que a industria aumente o preço do leite e precisamos que o Governo Regional tenha uma ação muito mais direta em todos esses processos”, alertou Jorge Rita à saída de uma reunião com intervenientes do setor, onde as indústrias de leite recusaram pagar mais um cêntimo por cada litro pago à produção.

Na opinião do executivo açoriano, a solução passa “por apostar em novos mercados” e “na exportação” porque o “mercado nacional tem muitas dificuldades em absorver mais produtos” dos Açores, referiu João Ponte, acrescentando que o executivo já está “a dar passos” nesse sentido.

“Vamos entregar até dia 20 uma candidatura que tem a ver com a promoção em mercados não nacionais, nomeadamente na China, Macau e também na América do Norte, que são mercados que eu acho que têm condições no futuro de absorver as produções porque os nossos produtos de qualidade, são produtos de excelência”, referiu o secretário regional da Agricultura e Florestas.

Já Eduardo Vasconcelos, representante nos Açores da Associação Nacional de Industriais de Laticínios (ANIL), salienta que a recusa em aumentar o preço do leite pago ao produtor se deve ao aumento da produção, lembrando que existem realidades diferentes entre o que se passa nos Açores em relação ao que se passa no resto da Europa.

“O preço do leite tem aumentado na Europa devido à falta de leite e à redução forte da produção na Europa, aqui em São Miguel a produção praticamente não decresceu, aumentou quase 5% em 2015, o crescimento foi 0,69% em 2016 e em 2017 já está com um aumento em Janeiro de 4%, ou seja, as razões que levou a que o preço aumentasse na Europa não se está a verificar em São Miguel”, disse.

No entender da ANIL, a questão está em valorizar “um produto abundante” que “inviabiliza poder valorizar o leite ao produtor” e, enquanto não se encontrar essa valorização, “será difícil às indústrias conseguir fazer esse aumento do preço”.

 

 

 

 

Foto: Direitos Reservados

Lusa/+central

 

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