PCP acusa: reforma da Autonomia é “tentativa para justificar a falência da governação regional”

O coordenador regional do PCP/Açores sublinhou hoje que o agendamento, pelo PS, da ‘Reforma da Autonomia’ pretender desviar a atenção do descalabro que tem sido a sua governação na Região.

“A introdução na agenda política regional da designada “Reforma da Autonomia” constitui, desde logo, uma tentativa para justificar a falência da governação regional, centrando, assim, a atenção da opinião pública açoriana numa questão que na opinião do PCP nos Açores, não é uma questão prioritária”, afirmou Vítor Silva, em conferência de imprensa, na apresentação das conclusões da reunião da Direção da Organização da Região Autónoma dos Açores (DORAA) do Partido Comunista Português.

O líder do PCP/Açores adiantou que o que é prioritário na Região é encontrar soluções e propostas que possam contribuir para resolver os problemas da distribuição do rendimento, do desemprego, da precariedade, da crise nos setores produtivos, que atingem em particular a fileira do leite e das pescas, ou ainda na coesão social, económica e territorial.

“É grave a situação económica e social da Região, com o seu resultado mais gritante no plano humano e social expresso nas taxas de precariedade nunca antes atingidas na nossa história, deixando claramente à vista as deficiências estruturais nunca superadas e os efeitos negativos das políticas seguidas pelos consecutivos governos regionais e da República”, lembrou Vítor Silva.

Na sua opinião, a economia regional tem de estar ancorada num modelo de desenvolvimento sustentável e no reconhecimento, pelo país e pela União Europeia, das especificidades regionais.

O dirigente comunista recordou que a situação dos trabalhadores e o “recuo dos seus direitos sociais e laborais”, tem vindo a crescer a “níveis sem precedentes na história dos Açores” e deu como exemplo “os contratos a prazo e sazonais”, que se tornaram a regra sem exceção nos novos contratos de trabalho ou ainda a “utilização abusiva” dos programas ocupacionais para desempregados.

“Os salários sofreram uma profunda retração, generalizando-se o salário mínimo para cada vez mais postos de trabalho, acentuando-se a enorme desigualdade salarial entre homens e mulheres e alargando-se mais o fosso entre os salários médios dos trabalhadores do continente português e os dos Açores”, lamentou Vítor Silva.

Os comunistas açorianos manifestaram também a sua forte oposição é intenção já manifestada pelo Governo Regional de privatizar 80% do capital social da conserveira de Santa Catarina, sedeada na Calheta, ilha de São Jorge.

“O PCP Açores não pode compactuar com um processo que pretende alienar património público que reúne todas as condições para contribuir para a estruturação social e económica de São Jorge e entregá-la ao setor privado”, frisou o líder do PCP/Açores.

O dirigente comunista adiantou ainda que um dos objetivos do PCP nas eleições regionais de 2020 é eleger um “grupo parlamentar” na Assembleia Legislativa dos Açores e também contribuir para evitar a maioria absoluta do PS.

 

Lusa/+central

 

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