PAC pós 2020: desafios e oportunidades para as nossas 9 ilhas — Opinião de Mónica Rocha*

No passado dia 10 de janeiro, em Castelo Branco, a InovCluster, em parceria com o CATAA/CEi, promoveu a Conferência Inov2agro-Inovação e Tendências Agroalimentares 2018. Esse momento, como tantos outros do passado e certamente do futuro, prova a centralidade das questões relacionadas com a agroindústria e a necessidade de se refletir, debater e explorar tudo o que a ela diz respeito, até porque é altura de traçar as grandes reformas e linhas gerais relativas à Política Agrícola Comum para 2021 (PAC 2021), por tantos falada e por muitos desconhecida.

Em traços gerais e, porventura, grosseiros, a tónica está na necessidade de cada região, país e Europa no seu todo, encontrar e estabelecer um equilíbrio entre as novas tendências agroalimentares, assentes na qualidade, na sustentabilidade, na saúde, proteção do ambiente e na inovação, face à natural necessidade de se manterem os níveis de produção conformes ao crescimento da população, da premência em baixar os custos de produção e atingir verdadeiros níveis de sustentabilidade que ajudem a minimizar as flutuações e restrições dos mercados externos e internos, tudo isto com o objetivo último das empresas e dos produtores encontrarem, nos diferentes setores produtivos, o seu sustento por direito, de forma estável e segura.

Os Açores, como região ultraperiférica, vivem e gozam de uma realidade e especificidades que não podem nem são descuradas neste âmbito. Ao longo dos anos, vários têm sido os instrumentos que estão ao serviço da Agricultura e da Agroindústria, e o POSEI, o PRORURAL, o SAFIAGRI, o AGROCRÉDITO, entre outros, são prova disso mesmo. Porém, gostaria de centrar esta minha reflexão na estratégia e desafios que vivemos atualmente nestas nossas ilhas. Por cá, o equilíbrio a que já aludi passa por aumentar e consolidar as produções de elevada qualidade que temos, para assim diminuirmos as importações, e por encontrar mercados alternativos que sejam alternativa válida a possíveis monopólios, evitando-se dependências e sujeições discriminatórias do real valor do produto açoriano. Por outro lado, temos o desafio de promover uma visão empresarial assente na criação de novos produtos e novos segmentos de mercado que consigam valorizar o património histórico e paisagístico da agricultura açoriana. Com o expectável crescimento do turismo, devemos apostar na produção interna para consumo local e devemos aceitar e assumir a função da agricultura enquanto promotora do nosso espaço rural, do nosso património e das nossas potencialidades, sabendo usar as mesmas em prol do desenvolvimento e coesão económica e social das nove ilhas. O turismo é, neste contexto, uma receita complementar, onde exemplos como o Agroturismo, o turismo sociológico e/ou ambiental, no âmbito dos quais se podem recriar práticas antigas de cultivo, provas gastronómicas “in loco”, experiências ativas e ricas, são certamente um trunfo naturalmente nosso.        

Na minha humilde opinião, esta será, e é com certeza, uma oportunidade de negócio que não podemos negligenciar ou desvalorizar, e um caminho a seguir. Também estou certa de que saberemos adaptar e reorientar esforços para acompanharmos os novos tempos e os novos desafios de uma realidade em constante mutação. O mundo é dos atentos, dos resilientes e dos que, sem perder o rumo, sabem ser flexíveis nos diferentes contextos, pessoais, profissionais e cívicos. E o povo açoriano é rico também nisso, na sua história, no seu espólio, na sua força de viver!

 

*Deputada Regional do PS

 

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