Os desafios do setor conserveiro dos Açores — Opinião de João Corvelo

Com um apreciável volume de negócios (23 milhões de euros em exportações para o estrangeiro, representando um total de 24% das exportações da Região para o estrangeiro, 24 milhões de euros de exportações para o continente e cerca de 3 milhões de euros em vendas na Região) o sector conserveiro representa um importante pilar na economia açoriana, mesmo atendendo, apenas, aos dados meramente económicos do mesmo. Contudo, para termos uma panorâmica exata da importância deste sector na Região temos de ter sempre presente que nele se encontram cerca de 600 postos de trabalho diretos para além de várias centenas e outros indiretamente ligados à sua atividade ou que dele dependem em absoluto.

As quatro empresas açorianas deste sector (COFACO Açores, CORRETORA, PESCATUM e SANTA CATARINA) enfrentam um conjunto de desafios e problemas, naturalmente diferentes de umas para as outras, mas que numas passam pela necessidade de modernização e remodelação de infraestruturas, noutras pela definição de políticas e objetivos a atingir bem como da mobilização dos meios para os alcançar.

Uma coisa é certa: todas as quatro empresas enfrentam problemas comuns como seja a concorrência do mercado e a quebra na apanha do atum decorrente da política permissiva para as grandes frotas continuarem a depredação/delapidação da espécie através da utilização das artes do cerco em conjunto com os ajuntamentos artificiais.

Quanto a esta questão se é necessário uma maior e melhor intervenção do Governo Regional em defesa do setor, nomeadamente junto das instâncias europeias, também aqui se exige coerência por parte dos partidos com assento nos diversos parlamentos, nomeadamente na Assembleia da República e no Parlamento Europeu de modo que a sua atuação por ação ou omissão não seja contrária aos interesses dos Açores e daquilo que eles próprios apregoam ou das iniciativas que tomam na Região.

A mobilização de Fundos Comunitários para a modernização e investimento neste importante sector é uma necessidade que se impõe e que não pode ser adiada.

A coexistência de uma empresa do sector público com as restantes três do sector privado é e terá de ser uma verdadeira mais valia para todo o sector pois permite uma intervenção na definição de políticas e objetivos para o setor para além de poder e dever desempenhar um papel pioneiro na diversificação dos produtos e da produção.

A diversificação no aproveitamento de espécies abundantes na Região é certamente algo que merece e carece de exploração e investimento e é certamente um bom exemplo daquilo que pode ser feito, assim haja vontade política de o fazer.

O encerramento da fábrica da COFACO no Pico e a subsequente luta dos seus trabalhadores, bem como a recente luta dos trabalhadores da COFACO da fábrica de Rabo de Peixe provam, se ainda necessário fosse, que os trabalhadores estão e estarão sempre na primeira linha da luta pela defesa e progresso deste importantíssimo sector.

Este é e será sempre o melhor e mais confiável capital neste como em outros sectores de atividade.

Pela parte do PCP se provas se tornam necessárias, sobre o seu total empenhamento em defesa do setor conserveiro Açoriano, a atuação e as posições coincidentes dos seus deputados a nível Regional, da República e do Parlamento Europeu falam por si.

 

Deputado regional do PCP 

 

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