Mudanças — Opinião de Maria do Céu Patrão Neves

Patrão NevesA menos de um mês das eleições legislativas regionais, suponho que deveria dedicar esta crónica quinzenal aos grandes temas da nossa vida colectiva, às grandes questões políticas da Região em debate social intenso neste tempo pré-eleitoral e em breve sujeitas a escrutínio.

Mas que questões…? Não as há…, ou não se discutem…, pouco se revelam na troca de galhardetes entre os diferentes partidos políticos…, não desenvolvem nas interpelações, não obstante por vezes insistentes, da comunicação social…, apenas experimentamos a sensação de um pouco mais do mesmo.

Dir-me-ão que alguns dos actores políticos de hoje são outros em relação ao passado. É verdade. Produto da renovação. Mas regra geral houve uma diminuição da sua preparação e da sua qualidade pelo que ficamos com a ideia de que o discurso é o mesmo mas menos convincente. No início ainda pensamos que somos nós que já estamos cansados dos mesmos slogans políticos de sempre…e é verdade; depois reconhecemos também que são mesmo as palavras de sempre que se mantêm e só a personagem, mais pálida, de um discurso reciclado mudou.

Apreensiva perante a ausência de perspectivas de mudança nos Açores deparo-me ainda mais apreensiva pelas mudanças em curso no continente – numa afirmação implícita de que nunca basta a mudança pela mudança, mas a substância da mudança.

Podia então esmiuçar o acumular de dados negativos para a economia nacional e o suceder de recomendações críticas externas.

Podia centrar-me, por exemplo, na alucinação crónica do nosso Primeiro-Ministro que vê os indicadores económico-financeiros a subir quando estão a descer. Por importante que o tema seja – e é-o – apenas confirma o que já sabemos há quase um ano: somos governados por um partido-sombra, o Bloco de Esquerda, que alcançou 10% nas últimas eleições; e que o Partido Socialista “venderá a alma ao diabo”, ou seja, hipoteca o presente e o futuro do país, fazendo todas as cedências necessárias à esquerda para se manter no poder. Não admira que o cidadão-eleitor desconfie e se desinteresse…

Também podia optar por alimentar o último folhetim telenovelesco que entretém as mesas de café e vende jornais: a auto-promoção de Mariana Mortágua a Ministra das Finanças – nas palavras de Jorge Moreira da Silva – pelo anúncio prematuro de medidas do Orçamento de Estado. É significativo, sim. Paradigmático. Mas, apesar de tudo, ainda é mais do mesmo, agora numa versão burlesca.

E assim a crónica se foi escrevendo à procura de tema…, escrevendo sobre nada ou muito pouco…, em sintonia, afinal, com a nossa vida política…

 

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