Leite na Terceira: PSD acusa Governo de olhar para o lado

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O deputado do PSD/Açores António Almeida acusou hoje o executivo regional de “nada fazer” perante as tomadas de posição da indústria transformadora no setor leiteiro na ilha Terceira.

“O secretário da Agricultura lamenta a situação dos produtores da Terceira, diz que é uma decisão da indústria que o governo discorda, mas nada faz”, disse o social democrata, numa declaração política feita no parlamento açoriano.

Em causa está a decisão da Unicol – União das Cooperativas de Lacticínios Terceirense – de impor limites de produção, com base nos valores de 2018, penalizando o rendimento de produtores de leite da ilha.

O parlamentar do PSD/Açores salientou que o pagamento de penalizações imposto aos produtores de leite da Terceira “merece a preocupação de todos, pois traduz-se numa injustiça para quem produziu, contribuiu para a economia da ilha e da região e possibilitou a produção de lácteos à indústria de lacticínios da Terceira, até com o incremento de novas linhas de produtos em 2018”.

“O governo que anuncia indicadores favoráveis na Agricultura dos Açores, fazendo disso publicidade, é o mesmo governo que ignora os desastres no setor da produção de leite e lacticínios”, frisou.

Segundo António Almeida, no caso da ilha Terceira, “onde a indústria dá sinais de não querer mais leite, a secretaria regional da Agricultura disse que era preciso acabar com os limites à produção colocados pela indústria, mas assiste impávida e serena às penalizações anunciadas e que os produtores terão de pagar”.

Questionado pelos jornalistas, o secretário regional da Agricultura e Florestas considerou que esta decisão da indústria “penaliza o rendimento de produtores”.

“Muitos deles [produtores] realizaram projetos de investimento para aumento da produção”, sendo agora confrontados com a decisão da Unicol, afirmou João Ponte à margem de uma sessão de apresentação do programa comunitário POSEI na ilha de São Miguel.

Segundo a Antena 1 Açores, cerca de 300 produtores, um universo de cerca de 50% do total da ilha, foram confrontados com multas pela Unicol por terem excedido os limites de produção, o que representa, segundo o presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira, José António Azevedo, menos 240 mil euros no pagamento do preço do leite.

Considerando que a situação da produção na Terceira “é diferente” do restante território açoriano, o titular da pasta da Agricultura afirmou que a manutenção dos limites de produção está agarrada “a um passado que, na verdade, é diferente do presente”.

No caso específico de São Miguel, o caso dos limites de produção por parte da indústria é para o governante “muito diferente”, uma vez que surgem “num outro patamar” de ajustamento da produção ao que foi a evolução do setor leiteiro.

João Ponte defendeu que o foco na ilha Terceira “também deve estar na inovação” no setor e disse que já transmitiu esta mensagem ao presidente da Lactogal – Produtos Alimentares, S.A., que tem o “privilégio de ter no seu grupo leite produzido nos Açores”, uma “mais-valia que tem de ser aproveitada em termos de valorização”.

O secretário regional frisou que para assegurar o sucesso do setor “é preciso também ter produtores capazes de manter as suas explorações sustentáveis”, o que “não será possível” com limites de produção e o preço pago por litro de leite na Terceira.

+central

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