Insónia — Opinião de Inês Sá

Passam poucos minutos das cinco da manhã de domingo… esforcei-me para dormir mais um pouco, tentando contrariar o facto de a esta hora vadia, me sentir completamente pronta para iniciar o meu dia. Sem êxito, dirigi-me à cozinha, preparei um café e aproveitei para ler na diagonal as notícias do dia. Nada de novo, nem mesmo a proximidade das eleições autárquicas consegue agitar a tranquilidade característica do mês de agosto. O País chora a monstruosidade dos incêndios que todos os anos, invariavelmente, assolam o nosso território. O cenário repete-se há anos sem fim, transversal a governos de direita e de esquerda, que se revelam totalmente incapazes de minimizar este flagelo. Pessoalmente, custa-me imenso a entender como é que no nosso País, com tantos anos de experiência no que a incêndios diz respeito, com tanto investimento em prevenção e equipamentos, é ainda possível que o sistema de comunicações (SIRESP), que deveria manter em contacto permanente todas as forças de segurança e serviços de emergência, se revele um autêntico falhanço quando solicitado. Incompetência? Corrupção? Desleixo? Irresponsabilidade? Inconsciência? Lamentavelmente, sou levada a pensar que será um pouco de tudo isto.    

Por estes lados o verão parece aproximar-se do fim. Os dias já parecem mais pequenos, amanhece mais tarde e anoitece mais cedo. Começam-se a queimar os últimos cartuchos, estes já com um leve trago a Outono. Anseia-se a chegada dos horários escolares das crianças, que juntamente com as atividades desportivas, estabelecerão a rotina dos meses que se seguem. Definem-se as regras da casa, os objetivos escolares, os horários de deitar, o uso controlado do telemóvel, consciente da necessidade de a cada quinze dias, ter de fazer um brainstorming de tudo o que agora é acordado entre as partes.

Ainda haverá tempo de dar um salto à terra natal nos próximos dias. Rever amigos, familiares, o avô paterno prestes a completar 102 anos de vida, marcar presença no casamento de uma grande amiga e levar os miúdos a um parque aquático, cumprindo assim a promessa feita no último ano letivo.

Ainda sobre este tema do (re)início de mais um ano letivo, referindo-me à mais recente polémica dos livros da Porto Editora, divididos por género, permitam-me o desabafo: a opção desta editora de fazer edições distintas por sexo, certamente terá tido por base o fator inovação que tanta falta faz ao nosso setor empresarial e, francamente, o facto do livro da menina ter capa cor-de-rosa e o do menino ter capa azul, é-me completamente indiferente. Aquilo que realmente me causa repúdio nesta inovação, é o facto de que alguns dos exercícios propostos, embora muito parecidos, serem eventualmente de muito mais fácil resolução no livro para raparigas. A confirmar-se esta distinção, julgo que atualmente alvo de análise por parte da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), a minha desilusão toma proporções gigantescas, ao mesmo tempo que considero manifestamente insuficiente a obrigação da retirada destes manuais do mercado. Em pleno século XXI, este tipo de descriminação não pode mais passar impune!

E assim, consequência de uma insónia, acabo de eliminar mais um “pendente” da minha lista de tarefas diárias. Obrigada pela vossa companhia!

 

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