IAC debate Encontros e Desencontros da Ciência e Literatura em Angra do Heroísmo

Na próxima sexta-feira, dia 9 de março, pelas 21h00, o Instituto Açoriano de Cultura leva a cabo mais um Grémio das 9, com a presença de Carlos Fiolhais, Professor Catedrático de Física da Universidade de Coimbra para se falar de Ciência e Literatura: Encontros e Desencontros.

Fernando Pessoa, sob o heterónimo de Álvaro de Campos, escreveu em 1935 um poema sobre a relação entre a ciência e a arte: “O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. / O que há é pouca gente para dar por isso“.

Esta separação é o famoso problema das “duas culturas”: o cientista e escritor inglês Charles Snow notaria, em 1959, que desconhecer a segunda lei da termodinâmica equivalia a desconhecer Shakespeare.

Contrariando tal separação, Carlos Fiolhais apresentará vários exemplos de encontros entre a ciência e a literatura, em verso e em prosa, incluindo não só grandes nomes do cânone português como Luís de Camões, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós e Fernando Pessoa, mas também autores nacionais mais recentes como António Gedeão, Gonçalo M. Tavares e Adília Lopes.

Será ainda dada particular atenção a escritores açorianos como Antero de Quental e Vitorino Nemésio. O primeiro, autor de um notável soneto intitulado “Evolução”, marcado pela perspetiva darwinista. O segundo, autor de vários poemas, incluídos no livro “Limite de Idade”, claramente influenciados pela física e biologia modernas.

A literatura alimenta-se, por vezes, da ciência. Sem a ciência algumas das grandes páginas da literatura não teriam sido possíveis. E, em contrapartida, como mostra a concretização de algumas utopias da ficção científica, a ciência também por vezes se alimenta da literatura. Como disse o biólogo Thomas Huxley; “Ciência e literatura não são duas coisas diferentes, mas dois lados da mesma coisa”. Assim, mostrar-se-á que ciência e literatura têm mais pontes do que normalmente se crê.

Carlos Fiolhais (1956) é Professor Catedrático de Física da Universidade de Coimbra (UC). Licenciou-se em Física em Coimbra em 1978 e doutorou-se em Física Teórica em Frankfurt am Main, Alemanha, em 1982.  Publicou cerca de 60 livros, entre os quais Física Divertida, Darwin aos Tiros, Pipocas com Telemóvel, A Ciência e os seus Inimigos, etc. (Gradiva, os três últimos com David Marçal); Ciência a Brincar (coleção infantil na Bizâncio); manuais de Física e Química (Texto Editores); História da Ciência em Portugal (Arranha Céus, 2014); Biblioteca Joanina (Imprensa da UC, 2014, com Paulo Mendes) e, em Os Jesuítas. Construtores da Globalização (CTT, 2016, com José Eduardo Franco). Codirige com José Eduardo Franco as Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa (Círculo de Leitores, 2017) e dirige a coleção Ciência Aberta da Gradiva. É colaborador dos jornais Público e As Letras entre as Artes. É responsável pelo blogue De Rerum Natura. Tem investigado Física da Matéria Condensada e História das Ciências. É autor de mais de 160 artigos científicos, um dos quais com mais de 13.000 citações (o mais citado de sempre de autor em Portugal), e de centenas de artigos pedagógicos e de divulgação. Coordenou vários projetos de investigação e supervisionou duas dezenas de estudantes de pós-graduação. Dirigiu a revista Gazeta de Física. Foi Diretor do Centro de Física Computacional da UC, onde instalou o maior computador nacional para cálculo científico, e da Biblioteca Geral da UC, onde concretizou vários projetos relativos ao livro e leitura. Presidiu ao Conselho Científico do European Physics Journal. Foi consultor de programas de ciência para a SIC e RTP e do Museu de Ciência da UC. Foi o responsável pela área do Conhecimento da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Dirige o Rómulo – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra. É cofundador e gestor da empresa Coimbra Genomics.

Ganhou em 1994 o Prémio União Latina de tradução científica, em 2004 o Globo de Ouro em Ciência da SIC, em 2005 o Prémio Inovação do Forum III Milénio e em 2006 o Prémio Rómulo de Carvalho da Universidade de Évora. Recebeu a Ordem do Infante D. Henrique em 2005 e em 2017 o Grande Prémio Ciência Viva – Montepio.

 

 

 

 

 

Foto: Cartaz

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