Governo dos Açores define esta semana apoios à lavoura para minimizar seca

O secretário regional da Agricultura e Florestas João disse hoje que deverão ser conhecidas esta semana medidas de apoio à lavoura devido à seca que se sente em algumas ilhas.

“Cada dia que passa a situação agrava-se. Preocupa-nos naturalmente a questão do abastecimento de água e, por outro lado, a questão dos prejuízos aos produtores. Esta quinta-feira temos uma reunião com a Federação [Agrícola dos Açores] e espero já ser possível anunciar algumas medidas específicas que visem minimizar esses prejuízos”, adiantou.

João Ponte falava, em declarações aos jornalistas, à margem do arranque das Jornadas sobre Agricultura Sustentável e Segurança Alimentar na Macaronésia, que decorrem em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, uma das mais afetadas pela falta de chuva nos últimos meses.

O governante apelou ainda a uma utilização racional da água, face à baixa pluviosidade que se tem registado desde abril.

“Em relação ao abastecimento de água, o que há a fazer agora é gerir da melhor forma possível os recursos que estão disponíveis, de modo por um lado a garantir o abastecimento de água às populações – isso aí é uma responsabilidade dos municípios – e naturalmente também à agricultura”, apontou.

Na semana passada, numa visita a zonas agrícolas na ilha Terceira, a convite da Associação de Jovens Agricultores Terceirenses (AJAT), João Ponte disse que se iria reunir naquela semana com a Federação Agrícola dos Açores para, “se possível, tomar algumas decisões e avançar com soluções concretas para minimizar os prejuízos”, realçando que a situação era “muito complexa” e diferente de ilha para ilha.

O presidente da Associação de Jovens Agricultores Terceirenses, Anselmo Pires, alertou para a possibilidade de se verificar, este ano, uma quebra entre 30% e 40% na produção de leite, devido à fraca produção de milho e erva para alimentar os animais.

“Nos primeiros cinco meses [de 2018], até tivemos uma produção superior ao ano passado. No mês de junho tem caído abruptamente e vamos notar ainda mais nos próximos meses. E vai haver rutura de stocks, porque se calhar 30% a 40% da produção do leite é capaz de cair”, adiantou, na altura.

Segundo Anselmo Pires, a falta de chuva nos meses de abril, maio e junho provocou atrasos na produção de erva e milho, o que fará com que alguns agricultores tenham de importar produtos para alimentar os animais, já a partir deste mês.

“Foi semeado menos 60% do milho este ano na ilha Terceira. Destes 40% que foram semeados, se calhar 10% vão ser colhidos, vão vingar”, salientou, acrescentando que a produção de rolos de erva registou “uma quebra de 50%”.

O agricultor alertou ainda para a possibilidade de se registarem constrangimentos no abastecimento de água à lavoura, alegando que nesta altura do ano há animais a beber “mais de 120 litros de água por dia”.

 

 

Foto: Direitos Reservados

Lusa/+central

 

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