Evacuações médicas: “só um Governo fragilizado não tira consequências políticas da inspeção”

A vice-presidente do grupo parlamentar do PSD/Açores constatou hoje que Vasco Cordeiro “tornou-se cúmplice dos abusos de poder cometidos”, nas interferências ocorridas nas evacuações médicas de fevereiro de 2017, por ter decidido “não tirar consequências políticas deste caso”.

“O Governo regional dos Açores tem hoje uma liderança frágil e sem autoridade. Mesmo com um inquérito repleto de provas de interferências ilegítimas, o presidente do Governo recusou apontar responsáveis”, salientou Mónica Seidi, em conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, acrescentando que o secretário regional da Saúde “não tem condições” para continuar à frente do cargo, por ter sido comprovado que interferiu na decisão de evacuação médica.

“Apesar dos factos muito graves apurados pelo inquérito da Inspeção Regional da Saúde, o senhor presidente do Governo prefere que a culpa morra solteira. Se Vasco Cordeiro ainda tivesse algum sentido de decência política, já teria percebido há muito tempo que o secretário regional da Saúde deixou de ter condições para continuar no cargo”, sublinhou.

Em causa está o relatório da inspeção realizada, a mando de Vasco Cordeiro, ao processo das evacuações aeromédicas efetuadas a 2 de fevereiro de 2017, após dois pedidos de retirada de doentes de ilhas sem hospital, quase em simultâneo: um de uma criança de 13 meses com uma depressão respiratória num contexto de convulsão febril na ilha Graciosa e outro de uma jovem de 20 anos com um traumatismo cranioencefálico em São Jorge.

A coordenadora dos médicos reguladores (que tomam decisões sobre as evacuações) enviou, na altura, uma carta ao presidente da Proteção Civil, dizendo que foi inicialmente decidido retirar os dois doentes na mesma deslocação de helicóptero, mas que a presidente do conselho de administração do Hospital da Ilha Terceira pressionou a médica para dar prioridade à doente de São Jorge, que era sua familiar.

O secretário regional da Saúde, Rui Luís, optou, nessa altura, por não abrir um inquérito, mas em agosto deste ano, quando o caso foi relatado pelo jornal Diário dos Açores, o presidente do executivo açoriano decidiu abrir um inquérito “urgente”, que foi conhecido na passada quarta-feira.

Ora, para a deputada social democrata, o inquérito “não deixa margem para dúvidas” e prova que “diversas pessoas alheias ao processo interferiram na decisão médica reguladora”, incluindo o próprio secretário regional da Saúde.

“Todas as regras foram quebradas em benefício da familiar de uma gestora pública nomeada pelo governo do Partido Socialista, cuja evacuação médica não era necessária, segundo o inquérito. Todas regras foram quebradas em prejuízo de uma bebé de 13 meses”, frisou.

Mónica Seidi sublinhou que Rui Luís não só “abafou” o caso, ao não ter aberto um inquérito em 2017, como “interferiu na evacuação médica, sem ter qualquer autoridade legal ou técnica”.

“Por este andar, o ainda secretário regional da Saúde vai passar a telefonar para os hospitais, dizendo quais são os doentes que devem ter prioridade para serem operados”, apontou.

 

 

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