Escolha desadequada de calçado pode provocar lesões — Opinião de Fátima Carvalho*

Praticar exercício físico é hoje um hábito cada vez mais presente no quotidiano dos portugueses. Este facto justifica-se pelos inegáveis benefícios que a prática regular de uma dada atividade física pode trazer para a saúde.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o exercício físico é recomendado à população em geral, tanto para crianças e jovens, como para adultos, e até mesmo pessoas com mais de 65 anos. De forma a garantir as boas práticas durante a realização dos exercícios, esta entidade estipulou algumas recomendações que diferem consoante o grupo etário.

No caso da população entre os 5 e os 17 anos, deverão ser realizados 60 minutos diários de atividade física de intensidade moderada a alta. Entre os benefícios estão o desenvolvimento saudável do sistema cardiovascular, do tecido musculosquelético, de consciência neuromuscular (equilíbrio, coordenação e controle dos movimentos), e manutenção do peso corporal. Estão também associados benefícios psicológicos.

Já os indivíduos entre os 18 e os 64 anos devem praticar pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada, ou 75 minutos de atividade de alta intensidade. Segundo alguns dados médicos e científicos, este grupo apresenta menor risco de fratura e redução das taxas de mortalidade devido a: hipertensão arterial, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, menores índices de depressão, maior probabilidade de manter o peso ou redução de gordura abdominal, etc.

A partir dos 65 anos destacam-se atividades físicas e de lazer (como jardinagem, natação, caminhadas, dança), de locomoção, ocupacionais e tarefas domésticas. Com estas verifica-se a redução do risco de quedas, melhorias nas funções cognitivas, melhorias na constituição óssea, redução dos índices gerais de mortalidade e manutenção de massa muscular.

Enquanto Podologista, tenho observado que a população em geral, quer sejam amadores ou atletas profissionais, não detém grande preocupação na escolha do tipo de calçado desportivo, fator que pode acarretar problemas para o pé, joelhos e coluna lombar, pois as características físicas do indivíduo, nomeadamente o apoio plantar, posicionamento do retro pé, relação entre pé-joelho-coluna vertebral, entre outros, são fontes de lesões de overuse nos atletas. Assim, perante esta perspetiva, gostaria de aconselhar a todos os praticantes de qualquer atividade física desportiva e até de lazer a efetuar uma avaliação clínica podológica, com o objetivo de evitar lesões musculares, osteoarticulares, entorses, rutura de ligamentos, etc.

De forma garantir a saúde e bem-estar dos seus pés a médio-longo prazo, recomendo alguns cuidados a ter com os pés no desporto:

  •  Lave os pés diariamente e seque-os bem, principalmente entre os dedos;
  •  Use apenas meias de tamanho adequado e de algodão ou de outro material específico;
  •  Compre sempre o calçado desportivo ao final do dia, pois é quando os pés se encontram mais volumosos;
  •  Experimente o calçado desportivo com meias, e se utilizar ortóteses plantares leve-as consigo e coloque-as dentro do calçado;
  •  Ajuste sempre o calçado desportivo ao pé maior e ao dedo maior, e verifique se há espaço suficiente para os dedos mexerem;
  •  Escolha calçado desportivo com atacadores para ser possível um maior controlo e estabilidade do pé;
  •  Utilize sempre o calçado adequado a cada desporto e de acordo com a sua pegada plantar;
  •  Deve iniciar com atividade física moderada, no sentido de preparar todo o organismo para o exercício, pois sobrepeso e a falta de exercício irão conduzir a um excesso de stress sobre os pés;
  •  Nunca se esqueça de efetuar um bom aquecimento antes de iniciar desporto, e execute alongamentos após o mesmo;
  •  O calçado desportivo deve proteger o mais possível o pé, ser durável e adequado ao desporto e ao piso;
  •  Substitua o calçado desportivo de caminhar a cada 500-1000 quilómetros, dependendo da utilização;
  •  Utilize calçado adequado de acordo com a atividade física que vai executar e, muito importante, consulte sempre um Podologista para identificar quais as alterações biomecânicas presentes no seu pé.

 

*Podologista responsável pelo Centro Clínico do Pé.

 

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