Empresários açorianos reclamam mais voos e redução das tarifas nas ligações aéreas interilhas

A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) alertou hoje para a necessidade de revisão do atual modelo de transporte interilhas, nomeadamente a questão dos custos das passagens, das frequências dos voos e da organização dos meios.

“A Assembleia-Geral considera que o transporte inter-ilhas se está a revelar um forte constrangimento à mobilidade de residentes e à desejada disseminação dos visitantes, que chegam, sobretudo e em números expressivos, através das ‘gateways’ que se encontram liberalizadas”, sublinha a CCIA, em comunicado enviado às redações.

O organismo reuniu em 18 de maio, na Horta, no Faial, tendo aprovado o relatório de atividades e contas relativas a 2017 e analisado e refletido sobre a situação socioeconómica regional, bem como sobre diversos assuntos de interesse para as empresas e para a economia regional em geral.

Segundo a CCIA, o modelo de transporte aéreo com o exterior “continua a funcionar globalmente de forma satisfatória”, mas são feitas críticas ao atual modelo de transporte entre as ilhas, assegurado pela transportadora aérea regional SATA.

“O atual modelo só funciona adequadamente, se houver capacidade de resposta da transportadora regional, situação que não se está já a verificar mesmo antes da época alta. Esta é uma situação que preocupa profundamente a Assembleia-Geral, que entende alertar as entidades competentes para a necessidade de ser revisto o modelo de transporte inter-ilhas, que está a afetar negativamente principalmente as ilhas mais pequenas”, sublinha o organismo.

Além disso, “um dos aspetos que deve ser ponderado e alterado é o da forma como vem funcionando o sistema obrigações de serviço público nas três ‘gateways’ que não foram objeto de liberalização” do espaço aéreo.

E concretiza o texto: “O resultado é manifestamente insatisfatório, comparativamente com a situação que se regista nas ‘gateways’ que se encontram liberalizadas [Ponta Delgada, em São Miguel, e Lajes, na Terceira]. As ilhas com as ‘gateways’ de obrigação de serviço público estão entre as que menos cresceram no passado recente”.

No mesmo comunicado, o organismo reitera a posição que a Câmara “tem vindo a defender ao longo dos últimos anos” de que “o atual modelo” de transportes marítimos “não serve adequadamente a economia regional, gerando uma insatisfação permanente das empresas” face “aos custos e ao não cumprimento de rotas e escalas previamente definidas”.

O organismo está preocupado com “o desemprego oficial e efetivo, os riscos de pobreza, o abandono escolar e o insucesso escolar”, considerando que continuam a ser praticamente “inexistentes os recursos públicos” canalizados para a qualificação e requalificação dos trabalhadores.

A CCIA realça “o papel imprescindível que tem tido a atividade económica privada na criação de postos de trabalho sustentáveis e o seu papel incontornável como única via para a continuação deste processo”.

A entidade reafirma também a importância de “aliviar” a carga fiscal sobre as empresas e as famílias.

 

Foto: Direitos Reservados

Lusa/+central

 

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