Em pratos limpos — Opinião de José Ávila

José ÁvilaVárias vezes tenho visto e lido que o Algar do Carvão, na Ilha Terceira, é o único vulcão visitável no mundo.

Estas alegações servem, sobretudo, para dar notoriedade àquele sistema vulcânico que é, por sinal, muito bonito e merecedor de ser visitado.

O problema é que esta classificação é baseada num grande equívoco que – acreditando não haver qualquer maldade nesta atitude – pode confundir e confunde, com toda a certeza, as pessoas de boa fé.

Que o Algar do Carvão é um vulcão do mundo e que é visitável, não há qualquer dúvida, mas mesmo ao lado, na ilha Graciosa, existe um vulcão, também visitável, e que ainda por cima desenvolveu, aquando da última erupção, a maior cúpula vulcânica de toda a Europa.

Se consultarmos a página “Vulcões de Portugal”, poderemos encontrar, entre vários, o Algar do Carvão e a Caldeira da Graciosa, sistema vulcânico onde se encontra a Furna do Enxofre.

Podemos também tirar as dúvidas no Catálogo das Cavidades Vulcânicas dos Açores, onde ainda aparecem outras com essas características que apenas querem atribuir ao Algar do Carvão, vá lá saber-se porquê.

A existência da Furna do Enxofre na Graciosa não retira qualquer brilho ao Algar do Carvão, antes pelo contrário, pode completar a oferta para os visitantes que se interessam por vulcanismo e que deambulam pelo mundo à procura deste tipo de monumentos naturais.

A Furna do Enxofre apenas retira o que se quer dar em exclusividade ao Algar do Carvão que, por capricho da natureza, não é, de todo, verdade.

Errar é humano, perdoar é divino, mas corrigir é de sábio e não custa nada.

 

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