…é como as cerejas — Opinião de Maria do Céu Patrão Neves

Dei por mim a lembrar-me de algumas cenas da viagem de finalistas de jovens portugueses em Espanha no ano passado… Paredes pintadas, camas partidas à semelhança do restante mobiliário dos quartos, sanitas arrancadas…, um rasto de destruição também nas ruas e nos bares que frequentaram estes jovens de 17, 18, 19 anos. Chamaram os pais que – para quem quis ouvir – reiteraram em público a sua plena e total confiança no comportamento irrepreensível dos seus filhos…(?!)

E depois, isto é como as cerejas, vai uma atrás da outra, e lembrei-me de há poucos meses ter visto um documentário sobre as noites dos jovens ali pela zona do Cais do Sodré, em Lisboa (mas podia ser por cá, em muitas praças e ruas): enquanto alguns chegavam ao hospital em coma alcoólico, outros eram retidos pela rusga da polícia até os pais chegarem os quais, mais uma vez em declarações públicas, declaram a normalidade do comportamento dos jovens…

E – cá vai mais uma cereja –  lembrei-me ainda da reportagem de há dias sobre a equipa da PSP Escola Segura que é regularmente chamada à escola devido a jovens, entre os 15 e os 17 anos, que entram nas aulas, às 8h da manhã, com taxas de alcoolémia que chegam aos 2,35 gramas de álcool no sangue…(!!!)

Mas, afinal, onde estava a cesta das cerejas, a que propósito me pus a pensar no comportamento leviano dos jovens, na desresponsabilização dos pais, e também nas consequências para a saúde física, psicológica e social destes nossos jovens…?  Ah, sim, a propósito daquela fantástica lei, em que os nossos deputados estão a trabalhar intensamente, devendo por certo tratar-se de uma prioridade nacional, para permitir que um jovem, a partir dos 16 anos, possa mudar o nome e o sexo no cartão de cidadão, sem tão pouco existir qualquer recomendação médica, mas com a devida autorização dos pais… Podem mudar de sexo, mas não consumir bebidas alcoólicas, senão a partir dos 18 anos…

Mas, enfim, parece que a razão ponderosa é a que há jovens que não se identificam com o seu sexo… Eu também devo reconhecer que não me consigo identificar com aquela fotografia sombria do meu CC…. Quando sorri para a câmara disseram-me que não o podia fazer… (parece que vai ser mais fácil mudar de sexo do que sorrir…) e lá fiquei carrancuda. Mas com o que eu me identifico cada vez menos é com a minha idade. Afinal minha idade não é a biológica mas aquela com que me sinto. Acho que vou agora apanhar esta boleia para alterar a idade no CC!

 

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