Devia haver eleições todos os anos

Opinião de Paulo Teixeira

TeixeiraEsta é a fase em que tudo é cor-de-rosa. Aparentemente nos próximos seis meses está tudo tão bem como nunca antes esteve. As finanças publicas jamais estiveram melhores. Médicos especialistas voltam à ilha passados quatro anos. Volta a fazer a Feira Agrícola ao fim de outros tantos. O Governo Regional prepara medidas para combater o fim das quotas leiteiras – como se não se soubesse há dez anos que estas terminariam.

Várias outras coisas, aliás, continuam a acontecer apenas em ano de eleições Regionais. É aquele tempo maravilhoso que leva as pessoas a dizerem: “Devia haver eleições todos os anos!”

A conclusão parece ser óbvia quanto à necessidade de se mudar de partido no Governo dos Açores. Muitos dirão “são todos iguais”, mas a verdade é que mudar traz frescura de caras e de ideias. Sobretudo, de energia. Como dizia Carlos César quando o PSD governava: “20 anos é muito tempo!” Era então e continua a ser agora.

A atual situação do PS no Governo dos Açores é um bocado como as mudanças que, de tempos a tempos, a minha mãe fazia lá por casa, alterando a posição dos móveis dentro do mesmo quarto. Dizia ela que dava um ar diferente e que servia para limpar o pó. É o que tem feito o Partido Socialista no Executivo. São as mesmas caras, só que, à boa moda da nossa chamarrita, “quebram e tranceiam” entre gabinetes e secretarias.

Falta energia, engenho e empenho para enfrentar os problemas dos açorianos. Até porque é humano estar cansado e sem objetivos ao fim de 20 anos. É preciso dar descanso ao PS.

Para mais, 20 anos é muito tempo quando um conjunto de políticas do PS tem levado os Açores a patamares de desenvolvimento humano que se quedam muitas vezes por serem os piores de Portugal: temos mais desempregados; mais casos de abuso sexual; pesadelo no ensino, com mais insucesso e mais abandono escolar; mais analfabetismo; demasiada violência doméstica; mais gravidez na adolescência; mais consumo de álcool que atinge os jovens; mais pobreza persistente; mais necessidade do Rendimento Social de Inserção. Somo, ainda, últimos no acesso aos cuidados primários de saúde e no acesso às listas de espera para cirurgias. Os Açores estão a viver a catástrofe. E é preciso enfrentar essa realidade (Neto, Joel -2015- in Contributos da sociedade civil açoriana para o desenvolvimento dos Açores).

Foi, certamente, com a consciência de quem precisa enfrentar a realidade que a Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, a Federação Agrícola dos Açores e União Geral dos Trabalhadores – UGT Açores, vieram a público anunciar uma “parceria para o desenvolvimento económico e social dos Açores”, porque o modelo de desenvolvimento do PS para os Açores está errado. Com o Governo de costas voltadas para as pequenas e médias empresas, temos hoje 60% dos agricultores à beira da falência; temos hoje 71% das famílias açorianas a viver de rendimentos mensais inferiores a 530€; e temos hoje resultados na Educação que nos envergonham.

Temos um Governo arrogante e prepotente que, ao fim de 20 anos, continua a explorar a boa-fé do povo, anunciando milhões atrás de milhões, criando esperanças que a infinita bondade do povo possa retribuir com um voto de confiança, enquanto deixa essa crítica que os políticos já deviam ter percebido:“Devia haver eleições todos os anos!”.

 

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