Despejados — Opinião de Francisco Câmara

É um drama aquilo que neste momento vivem os moradores de Santa Rita, que receberam ordem de despejo do Tribunal. Um drama com várias facetas, mas não deixa de ser um drama onde persistem muitos culpados mas onde ninguém parece querer dar a cara por estas pessoas.

O pecado original deste processo nasce quando o Estado Português, já lá vão longos anos, autoriza os norte-americanos a construir moradias em terrenos que não eram seus. Um drama que continuou quando os norte-americanos começaram a vender as casas aos Portugueses. Podemos acusar de ingenuidade quem comprou as casas, sabendo que o terreno não lhe pertencia, é verdade. Porém, continua a ser um drama.

Um drama que persiste, quando se percebe o logro em que caíram quem as casas comprou aos norte-americanos. Um drama quando os moradores, aparentemente, foram mal aconselhados acerca das rendas. Um drama que se adensa, quando Roberto Monteiro, afirmou que ninguém seria expulsos das casas compradas aos americanos em Santa Rita. Um drama acrescido de um sopro de esperança dado aos donos das casas, que recompensaram Roberto Monteiro com reeleições absolutíssimas.

E não deixa de ser um drama que, de acordo com o Tribunal de Contas, a agora em difícil situação financeira Câmara Municipal da Praia da Vitória de Tibério Dinis, esteja sem meios para acudir a esta situação.

Há quem acuse os proprietários dos terrenos de ganância. Há também que ter como atenuante os anos de prejuízo que tiveram. Há que saber quem agora irá pagar a demolição das casas se estas forem para a frente. O Estado Português, que autorizou a construção? Os norte-americanos? Os antigos donos das casas?

A situação é complicada, a solução requer medidas excecionais. Há que atender ao percurso, às vidas das pessoas que estão em jogo, aos direitos dos donos dos terrenos e a todas as promessas não cumpridas. Se a Câmara Municipal da Praia da Vitória está sem meios, cabe ao governo regional chegar-se à frente, chamando também a esta equação o governo da república, onde começou por residir o pecado original deste processo.

Porque esta situação é um drama, e porque estas pessoas de Santa Rita, agora desalojadas, merecem que se olhe por este drama.

 

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1 comentário

    • Fernando Mendonça on 12 Junho, 2018 at 13:39
    • Responder

    Um drama lamentável, que se adivinhava, pela larga demora em ser resolvido pelos vários proponentes!
    Completamente de acordo, com o que aqui foi escrito por Francisco Câmara!

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