Contaminação na Terceira: CDS, PSD e município com diferentes visões do resultado da Comissão Bilateral

A Comissão Política Concelhia (CPC) do CDS-PP na Praia da Vitória, a Comissão Política de Ilha (CPI) do PSD na Terceira e a Câmara Municipal reagiram hoje com diferentes visões sobre o resultado da Comissão Bilateral Permanente entre Portugal e os Estados Unidos da América, que decorreu ontem em Washington.

No entender da estrutura local do CDS-PP Açores, o Governo do PS “continua a desconsiderar os praienses quanto ao processo de descontaminação”, acusando Vasco Cordeiro de “escolher o mesmo tipo de discurso”, no que diz respeito ao avanço do processo de descontaminação dos solos e aquíferos da ilha Terceira, “sem introduzir qualquer tipo de novidade”.

“O CDS da Praia da Vitória lamenta a indefinição em torno deste processo, questionando o porquê de não existir uma calendarização clara e objetiva, de conhecimento público, onde estejam definidas as etapas das ações de descontaminação para que possam ser efetivamente cumpridas”, referem em comunicado.

Segundo a estrutura liderada por Andreia Vasconcelos, “este Governo regional, como é usual na sua governação, evidencia uma total inércia na condução deste processo, sem atender aos interesses dos praienses, do município e da ilha Terceira”.

“Para o CDS da Praia da Vitória, este Governo não pode continuar a protelar as decisões que os praienses e a Praia da Vitória precisam e têm direito”, concluem.

Também o PSD/Terceira critica a atuação do presidente do Governo dos Açores, acusando-o de “apenas apresentar resultados avulsos”.

“O PSD/Terceira entende que são preocupantes os resultados da reunião bilateral entre Portugal e os Estados Unidos, onde Vasco Cordeiro participou enquanto representante dos Açores. Quando aquilo que se esperava seria a apresentação de um efetivo plano de descontaminação, vê-mo-nos confrontados com a apresentação de medidas avulsas por parte de Vasco Cordeiro. Verificamos que não só não foi apresentada nesta bilateral um efetivo plano integrado de descontaminação, como as ações pontuais alegadamente realizadas não tenham sido discutidas e acompanhadas pelo governo dos Açores que se vê agora na necessidade de confirmar em terreno esta informação”, referem igualmente em comunicado.

A estrutura de ilha liderada por Francisco Câmara considera “preocupante” que não tenha havido o fornecimento de informação prévia à Região, quando há seis meses atrás Vasco Cordeiro referia o compromisso dos Estados Unidos no “reforço dos mecanismos de informação e transparência públicas, quanto ao que está ou não a ser feito, segundo critérios técnicos e científicos e de um calendário exigente e realizável para evoluções visíveis notórias neste assunto”.

“Vemos agora que nada disso foi cumprido e, tão grave quanto isso, Vasco Cordeiro vem desvalorizar o assunto e vê-se mesmo na obrigação de agora mandar confirmar a informação recebida”, lamentam.

O PSD/Terceira apela, “na senda da transparência anunciada por Vasco Cordeiro”, à rápida divulgação dos resultados anunciados, à sua discussão pública e a uma efetiva tomada de posição do Governo dos Açores em relação ao Governo da República, entidade responsável pela negociação com os norte-americanos, exigindo que o Governo dos Açores inste o governo de António Costa a “cumprir aquilo que os americanos não estão a cumprir”.

Já o município da Praia da Vitória considera que houve uma “evolução positiva” sobre processo de descontaminação, defendendo a “avaliação científica das ações e resultados”.

“As informações veiculadas são satisfatórias. Secundando a posição do Governo dos Açores, também entendemos que foram apresentados dados que espelham uma ação mais célere e efetiva do que a concretizada até então. Recebemos a informação que, além da intervenção em dois locais, outros oito locais estão ou a ser alvo de intervenção ou está perspetivada uma ação de descontaminação. Além disso, recebemos também a informação de se ter registado uma melhoria de resultados nas intervenções realizadas na Porta de Armas e no South Tank Farm”, explicou Tibério Dinis, em comunicado.

O autarca realçou que a informação veiculada “carece agora de comprovação técnica e científica”, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, para que “possam ser avaliados concretamente os trabalhos realizados e em curso”.

 

Foto: Direitos Reservados

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1 comentário

    • Francisco on 25 Maio, 2018 at 18:09
    • Responder

    Nesta altura deste processo criminoso já todos deviam ter percebido que ninguém nos Açores tem qualquer poder público competência para tratar deste assunto. Nem a AR tem. Legalmente, é um Acordo que o governo português tem com o americano, mas de valor quase nulo. Não é um Tratado. Só a boa vontade americana pode ajudar. Da parte do povo terceirense só mesmo apresentar queixa em Tribunal europeu, se é que há por aqui alguém com o necessário para tal feito.

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