Compromisso com os Terceirenses

Opinião de Francisco Câmara

Marcelo Rebelo de Sousa, a propósito das “alegadas” tensões institucionais com o governo de António Costa, reafirmou o seu “compromisso com os Portugueses”. O Presidente da República, referia-se à necessidade de colocar os portugueses em primeiro lugar e deixar as quezílias políticas para segundo plano, quente que está o relacionamento institucional a propósito dos incêndios que assolaram o país.

Existem, porém, outros problemas que assolam outros Portugueses, embora com menor visibilidade mediática. O problema da contaminação dos solos e aquíferos da Terceira é um deles. Não abre noticiários nem revela o mesmo dramatismo dos incêndios, mas é também “um fogo” que ameaça esta ilha. Um fogo que arde sem se ver, é certo, mas um problema que coloca em risco a saúde publica destas 55 mil almas que por aqui habitam.

O problema da contaminação na Terceira, provocada pelos norte-americanos, já rola desde 2005, quando foi realizado um estudo pelos próprios, posteriormente confirmado por uma entidade portuguesa devidamente acreditada. Vasco Cordeiro tem este dossier em mãos desde 2012. Tudo somado, vão demasiados anos que o tema se arrasta, sem qualquer ação concreta, quer por parte dos norte-americanos, quer por parte do Governo Regional, quer por parte da República.

Da Republica, que sempre puxou a si as negociações com os norte-americanos e beneficiou das contrapartidas das Lajes, exige-se ação rápida, firme e concreta. Porém, já se percebeu que não vamos no bom sentido, nem que daí iremos receber qualquer verba para descontaminação, tal como previsto no famoso PREIT.

Na visita do Presidente da Republica à Terceira, esperava-se que o Vasco Cordeiro aproveitasse a popularidade e força do Presidente para incentivar semelhante atitude com os Terceirenses, tão firme quanto este teve com as vítimas dos incêndios. Esperava-se, também aqui, “um compromisso com os Terceirenses” a favor da solução da contaminação dos solos e aquíferos. Pelo contrário, Vasco Cordeiro apoia a resolução do problema pela via diplomática, escusa a que assistimos desde que o problema se tornou público e em que nada resultou.

Durante décadas a Republica pôs e dispôs da Lajes. Foi chão que deu uvas para todas as forças políticas. À Terceira, coube ficar com o osso da contaminação, dado que outros comeram a carne. É, assim, à Republica que cabe resolver o problema e entender-se com os americanos. É o mínimo que se exige. Esperava-se de Vasco Cordeiro outra diplomacia junto de Marcelo Rebelo de Sousa para que do Governo do António Costa se obtivesse, também aqui, “um compromisso com os Terceirenses”. Nem que fosse o tal pagamento de 100 milhões anuais previstos no PREIT e o que o orçamento da República teima em esquecer.

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