Cerca de 5 mil explorações agrícolas desapareceram nos Açores

VacasSegundo as “Estatísticas da Produção e Consumo de Leite”, publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), entre 1989 e 2013, desapareceram quase 5 mil explorações de bovinos leiteiros nos Açores, enquanto o efetivo animal aumentou em mais de 10,8 mil vacas, tornando-se a Região detentora de cerca de 1/3 do efetivo bovino leiteiro nacional.

Os dados publicados revelam que em 25 anos desapareceram, nos Açores, 4685 explorações e aumentando-se o efetivo animal em 10.823 vacas leiteiras, o que corresponde a variações de -62,8% e +13,9%, respetivamente.

Segundo o INE, esta evolução traduziu-se, sobretudo, na eliminação de explorações pecuárias com número reduzido de efetivos animais e no aumento da dimensão média dos efetivos por exploração.

Desta forma em 2013, os Açores, juntamente com o Norte e o Centro, detinham cerca de 94% das explorações e 87% do efetivo bovino do país.

“A evolução regional que, entre 1989-2013, se caracteriza pela forte redução do número de explorações agrícolas com vacas leiteira e uma diminuição significativa, embora mais moderada, do número de vacas leiteiras, alterou substancialmente a estrutura do efetivo e das explorações agrícolas. As bacias leiteiras das regiões Norte e Centro perderam importância em detrimento da Região Autónoma dos Açores, que passou a deter cerca de 1/3 do efetivo bovino leiteiro nacional, quando em 1989 não atingia 1/5 do total”, destaca.

Refira-se que na análise do país, o INE revela que se verifica, que entre 1989 e 2013, desapareceram 90 mil explorações e reduziu-se o efetivo animal em mais de 140 mil vacas leiteiras, o que corresponde a variações negativas de, respetivamente, 92,2% e 34,7%. No global do país, esta evolução se traduziu sobretudo na eliminação de explorações pecuárias com um número reduzido de efetivos e consequente aumento da dimensão média dos efetivos por exploração (de cerca de 4 vacas por exploração para aproximadamente 34 vacas por exploração).

As “Estatísticas da Produção e Consumo de Leite” apresentam ainda uma análise da distribuição das explorações leiteiras por escalões do número de vacas entre 1989 e 2013 nas principais regiões produtoras, a qual revela uma tendência para a concentração da produção e o abandono de um grande número de explorações leiteiras com efetivos de pequena dimensão ao longo nesses 25 anos.

“Este facto foi particularmente notório na região Norte, onde as unidades com l a 2 vacas representavam 66,9% do total de explorações em 1989 e em 2013 contabilizavam apenas 11,6% do total”, destacam.

Já em relação ao arquipélago é destacado que em 1989, os Açores já apresentavam uma estrutura mais concentrada, quando comparada com as duas bacias do Continente: os escalões até 9 vacas, que no Norte e Centro constituíam mais de 90% do total das explorações leiteiras, correspondiam nos Açores a 65,2% do total das unidades leiteiras.

Para estas três regiões, assistiu-se no período em análise a um decréscimo significativo do número de explorações dos escalões até 9 cabeças e uma transferência para unidades dos escalões superiores, sendo que em 2013 no Norte e na Região Autónoma dos Açores mais de 50% das explorações integravam 20 ou mais cabeças (62,7% e 58,5%, respetivamente), enquanto o Centro, cuja estrutura não se alterou de forma tão expressiva, reunia neste grupo 33,6% das explorações.

Também o número de animais apresentou uma evolução semelhante, com uma alteração da estrutura ainda mais evidente, devido a uma concentração muito significativa do efetivo nos escalões superiores a 20 cabeças. Em 1989, cerca de 28,2% das vacas leiteiras da região Norte e 30,3% dos animais da região Centro estavam no escalão de l a 2 cabeças, enquanto em 2013 esta classe concentrava, respetivamente, apenas 0,5% e 2,6% do total de vacas destas duas regiões. Na Região Autónoma dos Açores, os escalões inferiores foram menos representativos: a classe de l a 2 cabeças detinha 3,7% dos animais em 1989 e 0.4% em 2013.

Assim o INE conclui que em 2013, qualquer das regiões analisadas apresentava uma estrutura que concentrava mais de 85% do efetivo leiteiro em explorações com 20 ou mais cabeças (Norte: 92,7%; Centro: 86,1% e Região Autónoma dos Açores: 88,2%). 2/3 da recolha de leite provém dos Açores e Norte

Desde 2003 que 2/3 da recolha de leite nacional de leite provém da Região Norte e dos Açores, tendo o arquipélago em 2004 e 2005 ultrapassado pela primeira vez o limiar das 600 mil toneladas de leite recolhidas.

Segundo as “Estatísticas da Produção e Consumo de Leite”, publicadas pelo INE, tendo como referência a informação regional sobre a recolha de leite (período de informação estatística disponível a partir de 2003), o Norte (bacia leiteira de Entre Douro e Minho) e a Região Autónoma dos Açores representaram, em média, cerca de 2/3 do total nacional, entre 2003 e 2015.

Ao longo deste período, a recolha regional de leite de vaca apresentou comportamentos distintos nas três bacias leiteiras nacionais. Os Açores foram a Região que apresentou maior taxa média a anual de crescimento da recolha de leite (+1,8%) e a que mais importância ganhou na estrutura de recolha (+4.6 p.p.).

Em sentido oposto, a recolha de leite na região Centro perdeu importância em termos absolutos e relativos, respetivamente, -3,1% e -6,9 pontos percentuais (p.p.). Já a região Norte, que detém a maior bacia leiteira nacional, representou 38,2% da recolha nacional em 2015, mais 0,9 p.p. que em 2003. A quantidade de leite recolhida nesta bacia leiteira aumentou a um ritmo médio anual de 0,7% no período em análise.

Tal como verificado na produção, a recolha nacional de leite aumentou em 2014 e, em menor grau, em 2015. As bacias leiteiras das regiões Norte e Centro aumentaram a recolha neste período em 3.4% e 1,6%, respetivamente. Já os Açores, e pela primeira vez, a recolha de leite na Região ultrapassou as 600 mil toneladas, cerca de 1/3 da recolha total nacional, sendo de destacar que a recolha em 2014, face a 2013, aumentou mais de 18%.

 

 

 

 

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