Centro de Oncologia dos Açores rejeita incidência elevada de cancros na Praia da Vitória

O presidente do Centro de Oncologia dos Açores (COA) rejeitou hoje que exista uma maior incidência de cancro no concelho da Praia da Vitória, em comparação com os restantes concelhos do arquipélago.

“É absolutamente falso dizer que o concelho da Praia da Vitória tem mais cancros, seja por que causa for, em relação aos demais concelhos dos Açores”, adiantou Raúl Rego numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

A Escola Superior de Saúde dos Açores e a Universidade de Massachusetts estão a desenvolver um estudo para avaliar o impacto da base das Lajes na saúde da comunidade e o seu coordenador avançou com alguns dados que apontam para uma incidência superior de alguns tipos de cancro como olhos, glândulas salivares, colo do útero e ovário.

Segundo Raul Rego, entre 1997 e 2014, foram registados no concelho da Praia da Vitória 8,85% do número de cancros dos Açores, tendo o concelho 8,52% da população do arquipélago, segundo os censos de 2011.

Olhando apenas para o período entre 2012 e 2014, apesar de os dados serem provisórios, a percentagem de casos na Praia da Vitória é de 8,1%.

“Não há nenhum concelho nos Açores em que se possa afirmar, com um mínimo de rigor, que efetivamente tem mais cancros do que outros”, frisou Raul Rego.

Quanto aos números dos vários tipos de cancro, o presidente do COA alega que o estudo tem em conta uma amostra muito pequena, que “não permite qualquer ilação de generalização em relação ao todo”.

“Está a considerar cancros onde a variabilidade estatística é altamente instável e depois tirar ilações universais não tem qualquer validade científica. É pura especulação”, salientou, considerando que “os números têm de ser corretamente utilizados”.

Dando o exemplo do cancro nos olhos, Raul Rego diz que em 18 anos se registaram apenas 27 casos nos Açores, cinco dos quais na Praia da Vitória, acrescentando que a amostra é mais reduzida, quando é analisado apenas o período entre 2007 e 2011.

“Em cinco anos eram conhecidos três cancros dos olhos, num universo de nove nos Açores. É uma tipologia de cancro, como muitos outros, que tem uma imensa variabilidade estatística. Basta haver mais um caso ou menos um caso para a estatística ir dos 30 para os 50 ou dos 50 para os 20, etc…”, apontou.

“As conclusões dos estudos são depois de fazer os estudos, não antes. E os números têm de ser utilizados não em função das pré-conclusões”, acrescentou.

Segundo o presidente do Centro de Oncologia dos Açores, “as situações circunscritas a espaços geográficos são suscetíveis de estudos direcionados, desde que haja fundamento nesse sentido”, mas até ao momento não surgiram dados que justifiquem uma atenção redobrada ao concelho da Praia da Vitória.

“Por mais que torturemos os dados não encontramos até agora nada que nos diga que há excesso nem defeito”, realçou Vítor Rodrigues, coordenador científico do Registo Oncológico dos Açores.

Para o epidemiologista, para se estabelecer uma ligação entre a contaminação de solos e aquíferos na ilha Terceira, provocada pela Força Aérea norte-americana, “é preciso que se encontre algum tipo de nexo de causalidade”.

“É uma doença multifatorial e normalmente tem um grande período de latência, ou seja, entre a exposição e a eclosão da doença demora muito tempo”, salientou.

Segundo Raul Rego, deverá ser aprovada este mês a realização de um estudo sobre o cancro nos Açores, que analisará todos os concelhos, mas se se justificar esse estudo poderá analisar com maior pormenor o concelho da Praia da Vitória.

 

 

 

 

Foto: Direitos Reservados

Lusa/+central

 

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