CDS-PP critica: Governo “não tem sabido” apoiar a lavoura da Terceira

A Comissão Política de Ilha (CPI) do CDS-PP/Terceira criticou hoje as políticas regionais de apoio à agropecuária, constatando que o executivo socialista “não tem sabido apoiar a lavoura terceirense”.

“As políticas seguidas pelo Governo regional não têm resolvido os problemas da agropecuária terceirense, e, nalguns casos, até os têm agravado”, critica a estrutura liderada por Nuno Melo Alves em comunicado, após reunir com a Associação Agrícola da Ilha Terceira.

Na reunião, foram abordados vários temas que preocupam os agricultores da ilha, nomeadamente a seca e o abastecimento de água, os apoios à aquisição de alimento, problemas estruturais do novo Parque Multissetorial, constrangimentos na exportação dos produtos hortícolas e o baixo preço do leite pago ao produtor.

Sobre a seca e os constantes problemas no abastecimento de água à lavoura, o CDS-PP/Terceira entende que existem alguns aspetos da gestão dos recursos hídricos que podem ajudar a minorar o impacto da falta de pluviosidade para os terrenos, alertando para a necessidade de limpeza das ribeiras e das comportas e ramais que distribuem água das ribeiras para diversas lagoas, o que permitiria melhor aproveitamento das águas que que correm para o mar.

Segundo os centristas terceirenses, também a construção de cisternas e tanques, que já foram co-financiados em 85%, foi uma medida que permitiu aos agricultores que realizaram esses investimentos alguma auto-suficiência em matéria de abastecimento de água e que deve manter-se como prioritário nos quadros comunitários.

A CPI do CDS-PP/Terceira critica ainda a má distribuição dos plafonds dos apoios à aquisição de fibra e palha para os animais, abrangendo todas as ilhas e não tenham sido previstos em função das repercussões da seca.

“A lavoura terceirense está a ser prejudicada, pois os plafonds para o apoio na aquisição de fibra estão muito aquém das necessidades, já estando praticamente esgotados, enquanto que noutras ilhas, como a Graciosa ou São Miguel, ainda só foram utilizados 10% e 50% dos respectivos plafonds. É urgente que o Governo regional reforce esta medida especificamente para Terceira, ilha que está a ser duplamente penalizada: pelas condições de seca e pelo modelo de apoio à aquisição de fibra e palha”, realçam no comunicado.

Sobre o recém inaugurado Parque Multissetorial da Ilha Terceira, os populares terceirenses criticam que apesar de ter demorado dez anos a estar concluído, a estrutura apresenta problemas de conceção que prejudicam o setor agropecuário.

A fraca climatização dos pavilhões para exposições de animais, a falta de dignidade da zona destinada ao mercado agrícola e a falta de um espaço coberto para a transação de animais que ocorre nas feiras semanais são falhas da obra nova que não foram acauteladas.

Noutra perspectiva, e conforme já vem sendo ampla e transversalmente referido, outra das políticas do Governo regional que, no entender do CDS-PP, prejudica a agricultura terceirense é o atual modelo de transportes, que “não permite o escoamento atempado de produtos agrícolas perecíveis, nem tem sido capaz de alavancar a exportação”.

“O CDS-PP tem exigido, desde há vários anos, na Terceira e a nível regional, um novo modelo de transporte de cargas por via marítima e por via aérea, para ultrapassar os problemas que todos, menos o Governo regional do PS, reconhecem”, lembram.

Os populares terceirenses entendem que os produtores de leite da ilha “têm sido prejudicados” pelo facto da única indústria transformadora não ter uma estratégia de inovação para os produtos dos Açores e pagar o preço mais baixo do país por litro de leite.

“As organizações de produtores de leite na Terceira não têm conseguido contrariar a estratégia de desvalorização do preço do leite pago ao produtor nesta ilha, situação que preocupa o CDS-PP, pelas necessidades diretas dos produtores e ainda pelo impacto que a agropecuária tem na economia terceirense”, salientam, acrescentando ser “inaceitável” que o Governo regional mantenha uma atitude de indiferença e distância em relação a este assunto, dizendo que não pode intervir em negócios privados, mas negando-se a exercer o seu papel de regulador, legislador e fiscalizador das actividades em causa.

 

 

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