CDS-PP acusa Hospital da Ilha Terceira de “esbanjar” dinheiro com certificação

O presidente do CDS-PP/Açores acusou ontem o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) de “esbanjar” dinheiro com uma acreditação internacional, alegando que a prioridade da unidade deveria ser o reforço de meios humanos e técnicos.

“Eu acho que é esbanjar dinheiro, quando podiam utilizá-lo a servir os utentes”, frisou Artur Lima, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo.

O Hospital da Ilha Terceira anunciou, em novembro de 2018, que seria candidato à acreditação internacional, associado à empresa Joint Commission International.

O dirigente centrista questionou, no entanto, a escolha desta empresa, salientando existir um programa nacional de acreditação em saúde da Direção-Geral da Saúde, que já certificou “mais de 150 unidades de saúde” e não teria encargos para o hospital.

“O CDS quer saber e vai enviar um requerimento para a Assembleia [Legislativa] a questionar o Governo Regional sobre quais os motivos que levam à acreditação internacional do HSEIT, que entidades foram consultadas para este processo de acreditação, o porquê de ter sido adjudicada a empresa Joint Commission International, quais os critérios para ter sido escolhida esta empresa e o valor da adjudicação”, avançou.

Para o deputado e líder regional do CDS-PP, o processo de acreditação é “dinheiro mal gasto, atirado pela janela fora”, porque “é impossível certificar o hospital devido à falta de recursos humanos e técnicos que tem”.

“O conselho de administração está a começar a casa pelas telhas, porque primeiro tinham de ter médicos suficientes, enfermeiros suficientes, auxiliares de ação médica suficientes e meios complementares de diagnóstico adequados. Estes quatro pilares eram fundamentais para depois se certificar os serviços e os recursos humanos”, frisou, acrescentando que o Hospital de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, passou por um processo de aquisição de equipamentos e de aumento de recursos humanos antes de pedir acreditação.

Artur Lima disse que é uma “utopia” acreditar o hospital para atrair turismo de saúde, quando a unidade não consegue dar resposta às necessidades dos utentes.

“Isto é um insulto por parte do conselho de administração àqueles que necessitam de uma consulta e de uma cirurgia, ou seja, um verdadeiro atentado ao sofrimento psicológico e físico dos nossos doentes”, sublinhou.

Lusa/+central

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