CDS denuncia “irresponsabilidade socialista” no desmantelamento do radar meteorológico

AlonsoO deputado do CDS-PP Açores considerou hoje que o facto de a Região vir a ficar sem o único radar meteorológico instalado nas ilhas “é uma grande irresponsabilidade socialista”, enumerando todas as iniciativas que o seu Partido tem vindo a fazer sobre a matéria, desde 2010, e todos os compromissos assumidos ao longo dos últimos tempos pela Região, que nunca chegaram a ser concretizados, “ficando em causa a segurança de pessoas e bens”.

Em conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, Alonso Miguel denunciou ainda que, “aparentemente, a única derrogação que os Governos socialistas, de cá e de lá, conseguiram foi a de convencer os americanos a só retirarem o radar da Serra de Santa Bárbara depois das eleições de 16 de outubro. Estamos perante uma grande irresponsabilidade”.

O democrata cristão lembrou que, “em 2010, o CDS-PP questionou o Governo Regional sobre diligências da Região no sentido de dotar os Açores de meios próprios de previsão meteorológica; em junho de 2010, o PS Açores chumbou uma proposta do CDS para a instalação de uma rede de radares meteorológicos nos 3 grupos de ilhas dos Açores. O PS justificava a recusa com um suposto processo de regionalização do Instituto de Meteorologia, que nunca aconteceu; em julho de 2010, por insistência do CDS junto do seu grupo parlamentar na Assembleia da República, foi aprovada uma proposta do CDS para a instalação da rede de radares meteorológicos nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira… O PS de Sócrates absteve-se. E, na prática, nada fez”.

Alonso Miguel prosseguiu recordando que, “em abril de 2013, o CDS Açores voltou a apresentar uma proposta visando que os Governos Regional e da República estabelecessem um protocolo que levasse à instalação nos Açores da rede de radares meteorológicos prevista no plano da rede nacional de radares desde a década de 80 do século passado. Finalmente, a iniciativa do CDS foi aprovada, até porque, por sugestão do próprio PS, o CDS incluiu na sua proposta também a criação de uma rede de estações meteorológicas de superfície. Porém, até hoje, nada disso foi feito”, criticou.

Depois disso, acrescentou, “em março de 2015, o delegado do IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) nos Açores disse publicamente que existia fortes possibilidades de os americanos desmantelarem o radar existente, no âmbito da redução do contingente militar na Base das Lajes. O CDS insistiu e questionou o Governo Regional sobre este processo, através de um requerimento. Porque na República estava o Governo PSD/CDS, a Região disse então que não tinha nada que ver com este investimento, que ele depende única e exclusivamente da República. Preferiu-se a chicana política”, lamentou.

Já em 2016, frisou Alonso Miguel, “no âmbito do Orçamento de Estado 2016, em fevereiro, o CDS voltou ao assunto e faz aprovar na Assembleia da República uma proposta onde comprometeu o Governo de António Costa a avançar com a instalação da rede de radares nos Açores”, sendo que, “em abril, o IPMA recebeu uma carta do Departamento de Defesa dos EUA a informar que o radar de Santa Bárbara iria ser desativado”.

Vem então, em maio, “o Primeiro-Ministro aos Açores e assinou uma declaração conjunta com o Governo Regional onde se ‘compromete a encetar diligências no sentido de ser assegurada a manutenção e funcionamento do atual radar da Serra de Santa Bárbara’, bem como assumiu o ‘início do processo de instalação de mais um radar meteorológico em São Miguel’, processo aliás iniciado na vigência do Governo da República anterior”, disse.

Também, “em maio, depois de vir de Washington, da reunião da Comissão Bilateral Permanente, Vasco Cordeiro assumiu que ‘existem boas perspetivas quanto à passagem, mesmo que temporária, para a tutela do Governo da República’, do radar instalado na Terceira”.

O problema “grave”, segundo Alonso Miguel, “é que passados todos estes anos o Governo Regional não fez rigorosamente nada sobre esta matéria” e os Açores vão ficar sem qualquer equipamento de previsão meteorológica, nomeadamente de fenómenos meteorológicos extremos, “ficando em causa a segurança de pessoas e bens”.

Alegando que o CDS-PP “vai continuar vigilante e exigindo que os Governos Regional e da República concretizem aquilo que foi aprovado, quer pelo Parlamento dos Açores, quer pela Assembleia da República”, Alonso Miguel não percebe como é que os Açores não estão a ser beneficiados, neste domínio, ao abrigo “das contrapartidas que os EUA estão obrigados para com Portugal pela utilização da Base das Lajes” e considera que “as garantias do Sr. Primeiro-ministro sobre a passagem do radar de Santa Bárbara para tutela portuguesa” e “todas as diligências do Sr. Presidente do Governo Regional e todas as suas idas às comissões bilaterais”, não serviram, senão, “para enganar os Açorianos”.

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