Casa do Triângulo quer reforçar alojamento para doentes deslocados nos Açores

A associação Casa do Triângulo, que está por estes dias a celebrar 21 anos, quer triplicar a oferta de alojamento na ilha açoriana de São Miguel para doentes deslocados das ilhas do Pico, Faial e São Jorge.

“A procura de quarto é tão grande que só com dois quartos não conseguimos dar resposta. A casa do lado tem quatro quartos e assim vamos ficar com capacidade para os residentes destas ilhas e, muito provavelmente, vamos alargar à Graciosa, porque a Graciosa não tem cá representação”, adiantou, em declarações à agência Lusa, Carlos Adalberto Silva, presidente da Casa do Triângulo.

Criada há 21 anos, a associação promove jantares e encontros entre pessoas naturais das ilhas do Triângulo (São Jorge, Pico e Faial) que residem na ilha de São Miguel, não só para matar saudades da gastronomia e da cultura destas ilhas, mas para angariar fundos para a manutenção de uma habitação que recebe doentes deslocados.

Das ilhas do Triângulo, só o Faial tem hospital, mas não tem todas as especialidades existentes no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, nem serviços de radioterapia, que, nos Açores, só estão disponíveis na ilha de São Miguel.

Em média, a Casa do Triângulo acolhe cerca de 150 pessoas por ano, mas a associação já apresentou uma candidatura a fundos comunitários para reabilitar uma habitação que lhes foi cedida, ao lado da que utilizam atualmente, que permitirá aumentar a capacidade de dois para seis quartos.

“São pessoas que ficam cá, por vezes, mais de 30 dias, com tratamentos oncológicos. Essa é, neste momento, uma das atividades mais nobres que nós desenvolvemos”, frisou Carlos Adalberto Silva.

A associação “cívica, cultural, social e recreativa” foi fundada em 1997 por um grupo de pessoas naturais e descendentes das ilhas do Faial, Pico e São Jorge a residir na ilha de São Miguel.

Muitos mudaram-se para a maior ilha do arquipélago nas décadas de 60 e 70 como professores primários e nela fixaram residência e formaram família.

“A maioria foi por questões profissionais. Foi em São Miguel que encontraram trabalho diretamente ligado à formação que tinham ou foi São Miguel que lhes criou oportunidades diferentes e ficaram”, adiantou o presidente da associação, que também se deslocou do Pico para São Miguel por uma oportunidade de emprego, há 30 anos.

Atualmente, a associação tem cerca de 200 sócios e conta com uma participação elevada nas várias iniciativas que promove, não só de pessoas ligadas às ilhas do Triângulo, mas da própria população de São Miguel.

“A casa é muito aberta à comunidade. Há muitos anos a esta parte que participam os naturais das ilhas que vieram para cá, os descendentes destes naturais, mas muitos micaelenses, porque nós estamos inseridos na sociedade micaelense. Temos imensos amigos e conhecidos que gostam, não só de jantar na Casa do Triângulo, mas também de colaborar”, salientou Carlos Adalberto Silva.

Às terças e sextas-feiras, um grupo de sócios junta-se para bailar a Chamarrita à moda do Pico e de São Jorge, uma iniciativa que atrai também as faixas etárias mais jovens.

“Tem um grupo de estudantes da Universidade dos Açores que tocam viola da terra, bandolim e viola e dois deles sabem mandar a Chamarrita. São novos, entusiastas e garantem a renovação da Casa do Triângulo”, salientou o presidente da associação.

A Casa do Triângulo comemora o seu 21º aniversário na terça-feira, dia 01 de maio, por volta das 17:00 (mais uma hora em Lisboa), com uma sessão que lembrará o vulcão da Urzelina, catástrofe natural que afetou a ilha de São Jorge, no dia 01 de maio de 1808.

A iniciativa contará com uma intervenção do vulcanologista Victor Hugo Forjaz e com a leitura de um poema por Eleonora Maria Duarte.

 

 

 

 

Foto: Direitos Reservados

Lusa/+central

 

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